De Todas as Tribos…

Quais são algumas das características que uma igreja pode possuir que podem nos trazer um vislumbre de como será a nossa realidade futura?

Nas últimas semanas tenho tido um vislumbre do céu. 

Minha e esposa e eu estamos visitando nossa filha, genro e netos na Tailândia, e meu vislumbre dos céus não se refere às paisagens paradisíacas, muito embora estas sejam impressionantes.

Estou me referindo às duas ocasiões em que já fomos visitar a igreja que eles frequentam. Trata-se de uma igreja internacional em Bangkok composta de pessoas de mais de 50 nacionalidades! No caso, pude ver ali duas características essenciais da igreja.

Acolhimento

A primeira característica marcante é o acolhimento. Na verdade, esse foi o fato decisivo na escolha deles de frequentar aquela igreja. E nós também fomos muito bem acolhidos. Pessoas vieram conversar conosco logo na chegada e mesmo depois se mostraram muito abertas e dispostas a estabelecer novos relacionamentos.

Refleti que esta é uma característica dos imigrantes – realidade de quase todos os membros. Conversei com pessoas do Paquistão que fugiram da perseguição religiosa. Conversei com um casal indiano que veio até ali por oportunidade de trabalho. Conversei com um casal de Hong Kong fugindo da crescente pressão comunista sobre o país. Encontrei um pastor da Namíbia que demonstrava alegria no Senhor e simpatia impressionantes.

Resumindo, tive uma prévia do que lemos em Apocalipse 7.9: “Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas”.

Diversidade cultural

A segunda característica foi a diversidade de roupas, tonalidades de pele e costumes. Não convivi o suficiente para observar todas as diferenças culturais. No entanto, pude observar pelo menos dois exemplos.

Entre as mulheres do Paquistão, o traje tradicional é o sari (na verdade, uma versão moderna deste). Fui surpreendido com isso, pois, inconscientemente, sempre associei tais trajes com descrentes. Contudo, ao meu lado vi mulheres que, tanto quanto se pode ver, amam ao Senhor e o louvam com tanto ou mais paixão do que nós, brasileiros.

Um outro aspecto cultural, é claro, foram as comidas que compartilhamos em uma noite de encerramento de grupos pequenos. Como em eventos semelhantes em tantas igrejas ao redor do mundo, cada família trouxe um prato para compartilhar. Assim, pude provar comidas diferentes, algumas deliciosas, e outras as quais cataloguei como “experiência transcultural”…

Um importante lembrete

Este aspecto cultural foi marcante para me lembrar que o povo de Deus não se refere a roupas, comidas ou mesmo expressões de adoração, mas refere-se ao nosso Senhor Jesus.

Enquanto participava dos cultos, inclusive um deles com o batismo de um senhor tailandês de 90 anos, um sentimento de adoração encheu o meu coração. Fui impactado com um pensamento: não é sobre mim, é sobre o Senhor Jesus! Não é sobre minhas preferências e costumes, mas sobre corações derramados diante de Deus.

Fui levado a pensar sobre o início da igreja em Antioquia, descrito em Atos 11.19-30. Aquela igreja acolhia tanto os judeus convertidos quanto gregos, romanos e outros povos da região. Os costumes, roupas e comidas deveriam ser muito diferentes. No entanto, “a mão do Senhor estava com eles, e muitos creram e se converteram ao Senhor” (Atos 11.21).

Aquela igreja, não a de Jerusalém, marcou o ponto de partida do movimento missionário que alcançou o mundo conhecido da época. Ali, talvez por seu acolhimento (João 13.34-35), eles foram pela primeira vez chamados de “cristãos”.

Eu tenho certeza de que essa igreja na Tailândia não é uma igreja perfeita. Também creio que eu eventualmente ficaria decepcionado com alguma coisa. Porém, o que me encantou foi imaginar como será lá no céu quando estivermos todos juntos e, creio eu, com nossa identidade cultural, pois João reconheceu que eram pessoas de todas as tribos, línguas e nações.

Enquanto eu aproveito essa experiência transcultural, gostaria de incentivá-lo a orar para que o evangelho continue a alcançar todas as tribos, línguas e nações.

Ore também para que, em seu coração e no meu, cresça uma atitude de que nossas culturas, preferências e costumes não são o mais importante. Não podemos permitir que tradicionalismos se tornem mais importantes que uma sincera devoção ao Senhor.

Autor

  • Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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