“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mateus 5.7).
O texto grego diz aqui eleemones. Isso significa “misericordioso”, “compassivo” – mas compassivo não apenas como um sentimento, mas também através de atos. A misericórdia é mais do que compaixão. Ser misericordioso significa que eu faço o bem ativamente e perdoo ativamente a culpa do outro.
Deus tem misericórdia de nós. Ele perdoa as nossas dívidas. Nós também perdoamos os nossos devedores?
No Pai Nosso, há a seguinte súplica: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6.12). Sempre que oro isso, não consigo mais ficar com raiva dos outros. Então, tenho que me perguntar: já perdoei o outro de coração? Ou levei para o sono questões que ainda não foram resolvidas? Ainda há acusações contra o outro que não foram esclarecidas?
Ser misericordioso significa que eu faço o bem ativamente e perdoo ativamente a culpa do outro.
Após o Pai Nosso, encontramos no Sermão do Monte os versículos comoventes em que o Senhor diz: “Porque, se perdoarem aos outros as ofensas deles, também o Pai de vocês, que está no céu, perdoará vocês; se, porém, não perdoarem aos outros as ofensas deles, também o Pai de vocês não perdoará as ofensas de vocês” (Mateus 6.14-15). São palavras muito sérias.
Ainda guardamos algo no coração contra o outro – ou perdoamos realmente de coração? Mas o que fazemos às vezes? Exatamente o contrário: exigimos que o outro assuma a culpa. A culpa, porém, nos foi perdoada por Deus. Por isso, não sejamos mais impiedosos do que Deus, que nos perdoa tudo quando nos aproximamos dele com um coração arrependido! Deus não concede graça barata! Devemos nos converter, nos arrepender e levar tudo diante do trono dele.
A culpa que temos perante Deus é incomensuravelmente maior do que a culpa que as pessoas têm para com a gente.
A culpa que temos perante Deus é incomensuravelmente maior do que a culpa que as pessoas têm para com a gente. Não sejamos mais impiedosos do que Deus, mas concedamos aos nossos próximos o perdão que nós mesmos recebemos na cruz do Gólgota! Então, Deus também nos perdoará.
Autor
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Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.
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