Assim como no cinema, às vezes parece que Deus age no último minuto. Como devemos refletir sobre essas questões, levando em conta nossa perspectiva humana limitada?
Em muitos filmes de ação, a história inteira nos leva ao momento em que tudo parece perdido. O vilão vai vencer e dominar a situação. O herói e aqueles que precisam dele vão ser mortos ou levados a algum destino terrível. Então, para dar mais carga emocional, no último minuto algo ou alguém surge que muda toda a situação.
Nos filmes antigos, podia ser a chegada da cavalaria; em outros, o retorno de um herói que todos pensavam estar morto. No clássico “O Senhor dos Anéis” foi a chegada do vilão Gollum, que, ao atacar Frodo, acaba involuntariamente destruindo o anel do poder.
O fato é que a resolução parece vir no último minuto…
Este é mais um exemplo da arte literária ou cinematográfica copiando o modo de agir de Deus. Também na história sabemos que as coisas vão piorar até o ponto que tudo parecerá perdido. Então virá o Rei (Apocalipse 19).
Mesmo em alguns momentos críticos, como quando o povo de Israel precisa cruzar o Jordão, nada acontece até o último minuto (Josué 3). Repare nos versículos 15 e 16:
“(O Jordão transborda em ambas as margens na época da colheita.) Assim que os sacerdotes que carregavam a arca da aliança chegaram ao Jordão e seus pés tocaram as águas, a correnteza que descia parou de correr e formou uma muralha a grande distância, perto de uma cidade chamada Adã, nas proximidades de Zaretã; e as águas que desciam para o mar da Arabá, o mar Salgado, escoaram totalmente. E assim o povo atravessou o rio em frente de Jericó.”
Imagine comigo a tensão destes homens carregando uma pesada caixa de madeira recoberta de ouro diante de uma multidão e caminhando para um rio em época de cheia. O rio não parou metros antes dos sacerdotes pisarem na água. Não parou nem no último passo. A expressão usada no final do versículo 15 é “Assim que… seus pés tocaram as águas”. Deus agiu no último minuto.

Na verdade, acho que a expressão no último minuto demonstra uma perspectiva humana. Para nós, parece ser no último minuto; para Deus, é na “hora certa”! Tiago trata desse tema ao nos exortar:
“Ouçam agora, vocês que dizem: ‘Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro’. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo’.” (Tiago 4.13-15)
Tiago está destacando a soberania de nosso Deus e a fragilidade de nossos planos. A intervenção de Deus, seu mover sobrenatural, não vem quando queremos, mas quando ele deseja. Provérbios 16 também trata disso ao ensinar que planos nos pertencem, mas o resultado final vem de Deus:
“Ao homem pertencem os planos do coração, mas do Senhor vem a resposta da língua. Todos os caminhos do homem lhe parecem puros, mas o Senhor avalia o espírito. Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos.” (v. 1-3)
Ao mesmo tempo em que somos incentivados a planejar, somos igualmente chamados a consagrar nossos planos a Deus.
Minha oração por nós é que, quando estivermos diante de um rio na enchente, diante de uma muralha intransponível ou diante de um coração duro que não quer mudar, confiemos naquele que sabe intervir no “último minuto”.
Ele sabe não só o que, mas também o quando eventos vão ocorrer. Ele é o Deus que abre mares, derruba muralhas, transforma corações – tudo no tempo certo, na hora certa.
Autor
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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.
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