“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mateus 5.10).
O texto diz “perseguidos por causa da justiça”, isto é, não por causa dos nossos próprios pecados. E Jesus continua com “por minha causa” (v. 11). É por causa do Filho do Homem, por causa de Jesus. A bem-aventurança não repousa no fato de sofrermos perseguição porque cometemos pecados, mas somente por causa do Senhor Jesus. Mantendo-nos fiéis a ele. Confessando-o, mesmo quando as coisas ficam difíceis. Não abandonando-o quando muitos o abandonam. Ele nos será fiel. E nós também podemos permanecer fiéis por meio do poder dele.
Jesus Cristo diz: “Portanto, todo aquele que me confessar diante dos outros, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante das pessoas, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10.32-33). São palavras muito sérias. Estamos cientes da sua gravidade? Já negamos o Senhor e não tivemos a coragem de confessar a nossa fé nele?
Estamos falando de perseguição. “Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vocês” (Mateus 5.11). É diferente quando eu, como cristão, falhei, quando cometi pecado e isso se tornou assunto. Não é disso que se trata aqui, mas sim de ser difamado por causa do Senhor. Só então se aplica o versículo 12: “Alegrem-se e exultem, porque é grande a sua recompensa nos céus; pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”.
Lembremos: o profeta Jeremias foi perseguido! Suas profecias e advertências não foram levadas a sério. Ele foi duramente perseguido e jogado na prisão. Elias foi perseguido! Ele era um dos poucos profetas do Senhor que restavam após a perseguição. Mas o Senhor lhe disse: “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal” (1Reis 19.18). João Batista foi perseguido! Ao dizer que Herodes vivia em pecado, foi preso e, por fim, decapitado. Esses eram homens de fé que não estavam dispostos a ceder, mas cumpriram a missão do Senhor.
João Batista, Elias e Jeremias tiveram momentos de desânimo. Contudo, todos eles eram pessoas que Deus usou.
Eles não fizeram isso por conta própria. Eles também tiveram momentos de desânimo e provações. João Batista também questionou se Jesus era o Messias; Elias desanimou após a batalha no Carmelo e fugiu para longe de Jezabel; Jeremias teve momentos de lamentação – ele deixou um livro inteiro de lamentações (embora lamente mais sobre Israel do que sobre o seu próprio sofrimento). Contudo, todos eles eram pessoas que Deus usou.
Graças a Deus, também vemos suas fraquezas – e isso pode ser um consolo para nós, pois não precisamos nos comparar com “super-homens”. Eles eram pessoas fracas como nós, mas serviram fielmente ao Senhor. Só isso já os distingue. E nisso eles são nossos exemplos.
Autor
-
Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.
Ver todos os posts