Defendendo-se dos Poderes das Trevas

“Se o seu olho direito leva você a tropeçar, arranque-o e jogue-o fora. Pois é preferível você perder uma parte do seu corpo do que ter o corpo inteiro lançado no inferno. E, se a sua mão direita leva você a tropeçar, corte-a e jogue-a fora. Pois é preferível você perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ir para o inferno” (Mateus 5.29-30).

Nesta passagem, trata-se de “cortar” ou “arrancar” a parte ativa que nos leva ao pecado. Figuradamente, isso significa eliminar a fonte do pecado e da impureza.

Onde jaz o maior perigo de contaminação? Quais são as minhas maiores fraquezas? Na minha opinião, essa fonte difere um pouco entre os sexos. Se, para os homens, são sobretudo os estímulos visuais que os levam à tentação, para as mulheres são as expressões ou sensações emocionais. Assim, a pornografia é mais uma tentação para os homens, enquanto obras e séries de romance atraem mais as mulheres. Esses romances podem levar a um mundo ilusório, que então se torna tão pecaminoso quanto a pornografia.

Talvez algumas mulheres podem pensar: “Bem, meu marido não corresponde nem um pouco a esse personagem ideal!”. Essa identificação com um herói romântico (por exemplo, na figura de um médico) já constitui adultério em pensamento. Estou mencionando isso para também mostrar às mulheres o risco que correm, antes de me debruçar agora especialmente sobre os homens. As mulheres são tão pecadoras e suscetíveis à tentação quanto os homens.

É digno de nota, naturalmente, que o Senhor Jesus dirija suas advertências contra o adultério aos homens: “Todo o que olhar para uma mulher com intenção impura…” (v. 28). O Senhor Jesus aborda especificamente a luxúria dos olhos e da carne, que afeta sobretudo – mas não apenas – os homens. O adultério começa no coração. É o olhar cobiçoso; o ato de alcançar o fruto proibido, neste caso, a mulher alheia. O adultério termina na Geena, o “inferno de fogo”, a condenação. Somente o arrependimento e a conversão a Jesus podem nos salvar disso.

A arma mais poderosa contra as forças das trevas é o amor ao Senhor Jesus Cristo e o fortalecimento pela Palavra de Deus.

O importante é que deixemos a Luz afastar as trevas, que deixemos o nosso coração se encher com o brilho de Jesus, de modo que possamos dizer às forças das trevas: “Aqui mora Jesus, afastem-se!”.

Isso não acontece por nossa própria força, mas pela força do Senhor. Quando estamos bem alimentados com a Palavra de Deus, reconhecemos que os desejos adúlteros da carne e dos olhos são prazeres fúteis, de um sabor repugnante e insípido. Assim, a arma mais poderosa contra as forças das trevas é o amor ao Senhor Jesus Cristo e o fortalecimento pela Palavra de Deus.

Não deve haver nenhum vácuo, nenhum espaço vazio nos pensamentos, no qual o inimigo possa se infiltrar. A ociosidade é o início de todos os vícios.

A alegria no Senhor é a nossa força. Trata-se aqui da alegria verdadeira e plena em Jesus, que supera de longe todos os prazeres deste mundo. Podemos reconhecer que a alegria em Jesus supera infinitamente todas as alegrias terrenas. Somente nele temos o sentido da vida: temos o perdão de nossas culpas e pecados pelo sangue de Jesus. Temos uma consciência tranquila, pois fomos purificados pelo sangue de Jesus, e temos a promessa da vida eterna.

A ele devemos, por isso, eterna gratidão.

Autor

  • Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.

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