Evitando o Mal

Jó 1.1 nos apresenta algumas características desse homem que podem nos ajudar a entender melhor como devemos evitar o mal em nossas próprias vidas.

Seu nome era Ronaldo (nome alterado). Conhecemo-nos em alguma atividade da igreja e nos tornamos amigos. Ele tinha um sorriso aberto e era muito empolgado. Casado, com duas filhas, crescera em um lar cristão e havia voltado à igreja após alguns anos longe do Senhor e se convertera. Tivemos encontros de grupo em sua casa e ele muitas vezes esteve na minha. Era alguém de papo fácil e amizade sincera. Um detalhe importante: Ronaldo era viciado em crack

Não tenho muita experiência com dependentes químicos. Ronaldo foi certamente o mais próximo. Ao longo de nossa amizade, vi seu lar se decompor. Houve uma vez que tivemos de acolher sua esposa e filhas em nossa casa para protegê-las dos seus surtos violentos. Eu o vi deixar a droga e retornar mais vezes do que me lembro. Não sei onde ele está hoje.

Ele já tinha mais um filho ao final do nosso tempo, mas sua esposa decidiu deixá-lo após anos de luta. Da última vez que nos encontramos, ele estava cansado e quebrado física, emocional e financeiramente – e novamente me prometeu que não se aproximaria dos amigos que forneciam a droga. Depois disso, voltou às drogas e parou de atender as minhas ligações.

O exemplo de Jó

Sempre que me lembro desse meu amigo, fico me perguntando: “O que fazia ele voltar para a droga?”. Eu sei que certas drogas (crack por excelência) geram dependência fisiológica e que os índices de recuperação são baixos, mas a pergunta ainda permanece.

Recentemente ouvi uma mensagem sobre Jó. O destaque foi a descrição que o próprio Deus faz de Jó: “Era homem íntegro e justo; temia a Deus e evitava fazer o mal” (Jó 1.1). 

Ouvir essas características me levou a fazer uma autoavaliação. A característica que mais chamou a minha atenção foi a expressão “evitava” (NVI), “desviava” (NAA) ou “se mantinha afastado” (NVT) do mal. A estrutura da frase, repetida três vezes no livro (Jó 1.1,8; 2.3), começa apontando que as características de Jó eram ser íntegro (ou irrepreensível) e justo. As próximas caraterísticas indicam a razão de ele ser íntegro e justo: ele temia a Deus e se desviava do mal.

A importância do temor

Olhando minha própria vida, devo confessar que houve várias vezes (mais do que eu gostaria) em que não me desviei do mal; pelo contrário, caminhei em sua direção. Lembro-me das palavras em Provérbios 14.16: “O sábio é cauteloso e evita o mal, mas o tolo é impetuoso e irresponsável”. A expressão “cauteloso” no original é “teme”. Desta forma, o princípio apresentado é o mesmo de Jó, associando temer a Deus e evitar o perigo ou o mal.

Percebo que há uma íntima relação entre os dois.

  • Temer a Deus significa estar ciente do poder e da justiça que ele tem.
  • Temer a Deus significa ter ciência de que nosso Deus não é um Papai Noel celestial, um “bom velhinho” que fica triste com nossos pecados, mas jamais nos traria consequências negativas.
  • Temer a Deus significa saber que “terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo!” (Hebreus 10.31).

Ao reconhecer tanto a justiça de Deus como seu amor, passo a compreender que, apesar de estar seguro em seu amor, “de Deus não se zomba”. Apesar, e talvez devido à sua infinita misericórdia, “o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna” (Gálatas 6.7-8).

Conclusão

Nesse sentido, precisamos ter uma autoconsciência muito desenvolvida para reconhecer que tipo de mal nos atrai. Para uns pode ser a oferta do álcool; para outros, como meu amigo, drogas; para tantos outros, conversas inconvenientes, dinheiro fácil, poder e assim por diante. Conhecendo qual forma do mal que mais facilmente pode desviá-lo, e temendo o Deus que professamos amar, temos a motivação e o entendimento para nos desviar do mal. Quando agirmos assim como Jó, seremos homens e mulheres íntegros, justos, que temem a Deus e se desviam do mal. Esta é minha oração por você e por mim.

Autor

  • Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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