Maravilhando-se com a Eleição de Deus

Como a eleição de Deus “antes da fundação do mundo” pode gerar em nós uma grata autoconsciência ao nos trazer uma nova perspectiva?

Há cristãos que têm dificuldade de lidar com o seu passado. Não conseguem conciliar-se com sua família ou não entendem experiências negativas, como humilhações e rejeições. Sofrem por não serem aceitos. Comparam-se com outros e lhes dói não terem alcançado o mesmo que outros. Carregam o fardo de sentimentos de inferioridade. Estão insatisfeitos com sua posição atual – seja seu emprego, sua aparência ou talvez até seu casamento. Têm dificuldade em superar o passado e sempre andam em círculos. Sentem-se incompreendidos por outros. Ao mesmo tempo, sonham em como seria bela uma vida diferente e melhor, expondo-se com isso inconscientemente a perigos.

Com certeza não será possível simplesmente descartar tais questões. Os outros também não deveriam desprezar o seu sofrimento e apenas abanar a cabeça diante da sua situação. Experiências traumáticas são reais e nos perseguem. Todavia, ter uma nova perspectiva é libertador, e ela existe.

A Bíblia comenta que, “antes da fundação do mundo, Deus nos escolheu” (Efésios 1.4). E como ficaria uma nova perspectiva em face dessa palavra?

Apesar de toda a compreensão diante de um passado trágico, não é decisivo o que somos aos nossos próprios olhos ou aos de outros, mas aos olhos de Deus. Não importa tanto como eu mesmo me vejo, mas como o Pai celestial me vê – e ele me vê em Jesus Cristo!

Ter uma nova perspectiva é libertador, e ela existe.

Ando lendo um livrinho intitulado Fröhlich bleiben statt bitter werden [Permanecendo alegre em vez de tornar-se amargo]. Trata-se da autobiografia do pastor Joachim Rohrlack. Seu pai era um soldado norte-americano negro que abandonou a esposa durante a gravidez, e esta, por sua vez, rejeitou Joachim depois do nascimento, levando-o a crescer num internato. Como consequência, toda a sua vida não foi fácil. Mais tarde, graças a experiências milagrosas, ele veio a crer em Jesus Cristo e se tornou pastor.

Com base em Efésios 1.4, ele escreve que “minha existência não pode mais ser definida em função dos meus pais físicos, mas do Deus Criador. Foi ele quem me quis. Foi ele quem me inseriu na história”.

Ele também usa uma metáfora para “passar a palavra a Jesus” e escreve o seguinte de modo enfático e convincente: “A trajetória que vocês precisam percorrer e o tempo pelo qual já passaram não são etapas de algum destino cego. É verdade que não foram vocês que escolheram o século no qual nasceram, mas eu o escolhi para vocês porque preciso de vocês nele. É verdade que vocês não escolheram o país em que vivem, mas eu o determinei para vocês porque quero tê-los ali. É verdade que vocês não escolheram seus pais, filhos, companheiros, irmãos, irmãs, comunidade ou igreja, mas eu os escolhi para vocês porque vocês necessitam uns dos outros. Envio vocês por esse caminho a fim de que cumpram mutuamente a minha vontade. Vocês não me escolheram, mas eu escolhi tudo para vocês”.

Quem já encontrou Jesus tem uma nova identidade nele. Por meio da fé pode decidir abandonar o passado e aceitar o presente, reconhecendo sua posição em Jesus e compreendendo sua posição de outro modo.

Encerrando então com Joachim Rohrlack: “Da consciência de ser eleito desenvolve-se uma grata autoconsciência”.

Autor

  • Norbert Lieth nasceu em 1955 na Alemanha, sendo missionário na América do Sul entre 1978 e 1985. Casado, tem 4 filhas. Hoje faz parte da liderança da Chamada da Meia-Noite em sua sede, na Suíça. O ponto central de seu ministério é a palavra profética, sendo autor de diversos livros e conferencista internacional.

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