O Que É Fidelidade?

Qual o significado de fidelidade e como podemos praticá-la? Com base nas cartas de Paulo ao seu discípulo Timóteo, podemos aprender quatro aspectos da fidelidade.

Recentemente tive o privilégio de falar na formatura de um curso de teologia no qual leciono regularmente. Pensando no conhecimento que haviam adquirido e no ministério a que se propunham, lembrei-me logo da passagem de 1Coríntios 4.1-2: “Portanto, que todos nos considerem como servos de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus. O que se requer destes encarregados é que sejam fiéis”.

De fato, todo aquele que teve o privilégio de aprender algo dos “mistérios de Deus” se torna automaticamente encarregado deste conhecimento. E Paulo oferece apenas uma característica como exigida de tais administradores – não é eloquência, erudição, conhecimento abrangente, mas simplesmente fidelidade.

Definindo fidelidade

Fidelidade hoje em dia é um bem raro. Pessoas têm desenvolvido todo tipo de argumento para não se manter fiel a um compromisso, relacionamento ou promessa. Assim, mais do que nunca, precisamos compreender o que significa e o que caracteriza essa fidelidade que é requerida de nós.

Os trechos que mais me ajudam a compreender o que significa fidelidade são as cartas de Paulo a Timóteo. Assim, deixe-me alistar o que compreendi sobre fidelidade a partir delas:

1. Fidelidade exige foco

Em 1Timóteo 6.20-21, Paulo alerta a Timóteo para guardar fielmente o que lhe foi confiado. Logo depois, ele exorta seu discípulo a evitar conversas inúteis, profanas e ideias contraditórias.

Em outras palavras, não gaste tempo discutindo o que não importa. Mantenha-se focado no conhecimento que lhe foi confiado. E sua advertência final é muito séria, pois alguns que se envolveram com isso “desviaram-se da fé”.

2. Fidelidade exige comunhão com o Espírito Santo

Em 2Timóteo 1.13-14, Paulo instrui a Timóteo que retenha o amor em Cristo e a sã doutrina (conhecimento que lhe foi confiado). Na sequência, ele o alerta para guardar esse conhecimento “por meio do Espírito Santo que habita em nós”.

Em outras palavras, não é uma questão de memorizar e repetir, mas de permitir que aquilo que aprendemos crie raízes em nossas vidas.

3. Fidelidade exige multiplicação

Alguns versículos depois, em 2Timóteo 2.1-2, Paulo exorta a Timóteo que passe adiante aquilo que aprendeu; não apenas passar adiante, mas dar continuidade ao processo de multiplicação – repare que ele deveria passar a “homens fiéis que sejam também capazes de ensinar outros”. Ou seja, fidelidade não termina ao passarmos para outros, mas devemos selecionar a quem vamos passar e somos responsáveis para que estes também passem à próxima geração.

4. Fidelidade exige perseverança diante do sofrimento

Em 2Timóteo 3.12, Paulo escreve “De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”. Essa constatação de Paulo não é teórica, pois, um pouco adiante, em 2Timóteo 4.7 ele escreve sobre sua própria vida: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”.

Fidelidade nunca sai de graça. A tarefa de encarregados (ou mordomos) do que Deus nos confiou sempre terá um custo pessoal. Na verdade, por isso Paulo escreve em Colossenses 1.24: “Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês, e completo no meu corpo o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja”.

Uma vez que Jesus já pagou completamente pelos nossos pecados, “o que resta das aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a igreja” só pode se referir ao custo de cristãos que permanecem fiéis quanto ao que prenderam dos mistérios de Deus.

Conclusão

Minha oração é que possamos, como Paulo, chegar ao final da carreira e celebrar, não atos grandiosos ou realizações impressionantes, mas a fidelidade que vem do Espírito que habita em nós!

Autor

  • Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

    Ver todos os posts

Produtos relacionados

Artigos relacionados

Em Mateus 23, o Senhor Jesus acusa os fariseus por sua hipocrisia. O que esse desafiador capítulo tem a dizer...