O atual cenário político brasileiro é cercado por escândalos de corrupção. No meio disso está uma figura cuja identidade é declarada como cristã. Como relatos semelhantes na Bíblia podem nos servir de orientação?
Nos últimos dias temos sido surpreendidos por uma série de investigações, suspeitas e denúncias dentro do nosso Supremo Tribunal Federal (STF). No centro dessas polêmicas está o ministro André Mendonça.
Você, leitor, pode ter a mesma posição ideológica desse ministro ou uma perspectiva diferente. No entanto, é aceito pela maioria dos cristãos que ele, ministro presbiteriano ordenado, apresenta-se como seguidor de Jesus. Para um homem cristão e íntegro transitar na mais alta corte do país no atual momento político e histórico do Brasil é, no mínimo, um grande desafio.
Cenários bíblicos similares
Nos relatos bíblicos, temos pelo menos três situações que me parecem paralelas: José na corte do faraó (Gênesis 37–50), Daniel e seus amigos na corte babilônica (livro de Daniel) e Ester na corte do rei Xerxes (livro de Ester).
Essas histórias são conhecidas e merecem nossa tenção como fontes de instrução e mesmo para orientar nossas orações.
Vejamos quais características nessas histórias também podem ser alistadas com a situação do ministro André Mendonça. Em primeiro lugar, todos eles foram levados a posições de destaque pela mão de Deus. Os processos podem ter sido corriqueiros, mas cada um deles não foi elevado a uma posição de influência por manipulação pessoal ou por meio de uma luta pelo poder. Ou seja, eles não lutaram pelas posições. A lição, a partir desta característica, é que é mais importante esperar que Deus nos conduza a posições de influência do que lutar por elas.

A segunda característica é que viviam em e serviam um sistema corrupto. Tanto no Egito, como nas cortes babilônica e persa, a justiça, do ponto de vista de Deus, era algo distante; da mesma forma, as transações dentro do governo brasileiro lidam sempre com acordos espúrios, manobras duvidosas e até mesmo clara corrupção. Não é o ambiente em que seria fácil manter sua integridade pessoal. Cada um de nós atua em certos ambientes nos quais nossa integridade é desafiada. Neste momento, lembro-me da oração de Jesus: “Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno” (João 17.15).
A terceira característica compartilhada por esses relatos é justamente que cada um deles – José, Daniel e seus amigos e Ester – mantiveram sua fidelidade a Deus, mesmo com risco pessoal. E justamente isso fez com que Deus pudesse usá-los para modificar a própria história.
Cenário atual
Tudo o que temos ouvido do ministro André Mendonça é que ele tem sido íntegro e fiel a Deus. No entanto, sendo ele homem como você e eu, precisamos orar para que ele se mantenha assim apesar das pressões e mesmo ameaças. Eu também oro por você, meu irmão, minha irmã, que se mantenha fiel em seu ambiente de trabalho, em sua família, em sua igreja… pois nossa integridade é o que nos possibilita sermos testemunhas do poder e caráter de Deus.
Observe a instrução do Espírito Santo por meio do apóstolo Pedro em 1Pedro 3.15-16:
“Antes, santifiquem Cristo como Senhor em seu coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês. Contudo, façam isso com mansidão e respeito, conservando boa consciência, de forma que os que falam maldosamente contra o bom procedimento de vocês, porque estão em Cristo, fiquem envergonhados de suas calúnias.”
A primeira exortação é que santifiquemos a Cristo em nosso coração. Seja como vice-rei, principal conselheiro do imperador, como rainha ou como ministro do STF, importa que o lugar de Cristo em nosso coração seja prioritário, santificado. A segunda exortação é que estejamos preparados para explicar a nossa fé. Oportunidades de explicar a razão de nosso modo de viver vão surgir. (Inclusive, com uma posição de maior destaque, essas oportunidades terão maior influência. Ambientes assim são hostis e com frequência cristãos serão provocados e afrontados.) Por isso, a terceira exortação é que apresentemos nossa fé com mansidão e respeito, sem sermos arrastados em discussões fúteis, mas mantendo a boa consciência.
Conclusão
Quando assisto o turbilhão no qual nosso irmão André Mendonça está envolvido, minha oração é que ele viva publicamente a passagem acima. Oro também para que você e eu vivamos da mesma maneira no âmbito em que Deus nos colocou. Vivendo o evangelho em nosso dia a dia para a glória dele!
Autor
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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.
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