Liberdade Por Meio da Verdade

A imaginação humana pode nos levar a realizar grandes feitos, mas nela também há o perigo de perdermos de vista a realidade e, com isso, nossa necessidade da Verdade.

Toda criança sonha em ser algo extraordinário quando crescer. Alguns querem ser jogadores de futebol – e não qualquer jogador, mas um jogador da seleção nacional, goleador, famoso. Outros imaginam se tornar astronautas, pilotando foguetes e viajando pelo espaço. Algumas meninas sonham em ser princesas, cantoras, atrizes etc.

Fantasias fazem parte da imaginação e têm um lugar saudável na vida de todo ser humano normal. O problema ocorre quando elas ocupam todo o tempo de um adulto, ou interferem com seu dia a dia. Não é preocupante uma criança querer usar uma capa de super-herói ou um vestido de princesa durante o dia; é preocupante quando um adultorejeita a realidade e vive em um mundo imaginário.

A imaginação humana

Fantasias são uma característica única do ser humano. Nós somos capazes de imaginar o que ainda não existe ou talvez nunca exista. Essa imaginação nos leva a exercer a criatividade e até mesmo lutar por realidades possíveis, mas ainda inexistentes.

Uma vez mais, se a fantasia impede você de viver o seu dia a dia de um modo saudável, ou se essa fantasia é prejudicial a você ou a outros, então ela precisa ser combatida. Nos meus estudos na faculdade de psicologia, entrevistei um homem que, ao entrar na sala, colocou-se de pé sobre a cadeira. Quando lhe perguntei o porquê, ele me relatou que o chão estava coberto de cobras. Infelizmente, aquela pessoa tinha uma percepção da realidade tão distorcida que não conseguia viver uma vida minimamente saudável.

A valorização do alternativo

Nos últimos anos temos tido uma crescente valorização de tudo o que é alternativo, divergente, até exótico. Temos, por exemplo, os therians – pessoas que se identificam como animais.[1] Ainda não há nenhuma pesquisa que determina se essas pessoas têm ou não algum transtorno mental. No entanto, qualquer ser humano que decida viver sua vida como um cachorro, andando de quatro, dormindo no chão e latindo para se comunicar é alguém preso à sua fantasia. Mesmo que não cause danos a outros, sua capacidade como humano fica profundamente limitada e, eventualmente, precisará de atenção especial de outros humanos.

Rendendo-se à realidade

É neste contexto que uma frase que li certa vez me impactou. O autor afirma que a verdadeira liberdade se encontra em reconhecer e se render à realidade. Toda vez que um ser humano se recusa a reconhecer a realidade, ele se torna escravo de sua fantasia. Seja uma recusa de reconhecer a realidade do frio extremo, que o levará à morte, ou, ainda mais importante, a recusa em reconhecer quem ele realmente é.

Por isso que a frase de Jesus registrada em João 8.31-31 se torna tão relevante: “Disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: ‘Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos.E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará’”. A exortação de Cristo é primariamente para que fiquemos firmes em sua Palavra; assim, seremos realmente seus seguidores e não apenas membros de um grupo religioso. No entanto, a consequência de permanecer firme é ainda mais relevante. Ao conhecermos a verdade seremos realmente livres.

Conhecer a verdade inclui mais do que apenas ouvir da mesma. Conhecer a verdade inclui reconhecer a realidade e alinhar sua vida a ela. Dessa forma, todo paciente a quem foi prescrito um remédio só tomará o medicamento se reconhecer que tem a doença com a qual foi diagnosticado. Nós, seres humanos, só vamos buscar um salvador se reconhecermos que estamos condenados por nossos próprios pecados. É por isso que aqueles que não se reconhecem pecadores, ou que não aceitam sua condenação, rejeitam o Salvador.

Tenho o privilégio de trabalhar como mentor de vários líderes. De modo geral, são homens piedosos que amam a Jesus, dedicam suas vidas a servi-lo e conhecem sua Palavra. No entanto, é surpreendente o número deles que se recusa a ver a verdade, normalmente sobre suas próprias fraquezas e problemas. E eles geralmente fazem isso de duas maneiras: negam diretamente os indícios e confrontações, ou minimizam o impacto de suas ações. A autodefesa nos é natural. Afinal, ninguém gosta de ter seus defeitos e limitações evidenciados, mas é justamente o reconhecimento destas que é o primeiro passo em nossa libertação.

Conclusão

Assim, meu querido leitor, oro por você e também por mim mesmo, para que não sejamos cegos com a realidade a nosso próprio respeito. Pelo contrário, que sejamos prontos a reconhecer a verdade que o Espírito Santo quiser nos revelar (João 16.8). Pois, quando conhecermos a verdade, seremos realmente livres!

Nota

  1. Equipe da La Nacion, “O que significa ser um ‘therian’ e qual a diferença para um ‘furry’; entenda”, O Globo, 21 fev. 2026. Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/epoca/noticia/2026/02/21/o-que-significa-ser-um-therian-e-qual-a-diferenca-para-um-furry-entenda.ghtml.

Autor

  • Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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