Como a paz do reino de Deus pode e deve transformar o nosso casamento?
O termo “paz” é certamente um dos mais citados na mídia hoje me dia.
Segundo o projeto Paz na Mídia, em julho de 2025 houve 2.402 matérias que se referiam à paz nos quatro principais telejornais nacionais do Brasil. Destes, sem nenhuma surpresa, 79% são referência à ausência de paz, à violência ou à falta de segurança.[1] Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 37,5% das mulheres entrevistadas sofreram alguma violência no período em 2024, um aumento de 8,6% sobre o ano anterior. Destes relatos, 57% afirmam que a violência aconteceu no contexto de sua residência.[2]
Não resta dúvida que nossos casamentos também carecem de paz. Nas últimas semanas, tenho buscado refletir e escrever sobre como nossos casamentos podem ser modificados se forem vistos sob a ótica do reino de Deus.
Em Romanos 14.17, Paulo escreve: “Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo”. Já escrevi sobre como a ótica da justiça (leia aqui) e da transformação (leia aqui) podem e devem afetar nossos relacionamentos conjugais. Hoje, gostaria de explorar de que forma a paz do reino deveria afetar nossos lares.
Elementos para a paz
Primeiramente, precisamos definir o que é paz. Eu gostaria de propor que paz do reino se refere a uma condição em que o próprio rei garante a nossa segurança, mesmo diante de conflitos. Essa definição é baseada, entre outras passagens, tanto no salmo 23 quanto em João 14.27: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo”.
O primeiro elemento dessa paz no casamento é a própria presença do Rei. Jesus não oferece uma paz emprestada ou delegada. De uma forma muito direta, ele afirma que nos deixa a sua paz. Ele, o Príncipe da Paz (Isaías 9.6), promete-nos aquilo que só ele pode dar. Não uma paz de armistícios, concessões e condições temporárias; uma paz real, absoluta, paz de alma, paz eterna.
O segundo elemento é a segurança em meio a tensões. Casamentos passam por tensões. Por melhor que seja o nosso casamento, vamos passar por dificuldades. Por isso é tão fundamental haver segurança. Uma vez mais, voltamo-nos para a Palavra, que afirma:
“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” (Filipenses 4.6-7)

Passos para a paz
Esse texto nos fala da paz a partir de pelo menos três passos. O primeiro é reconhecer nossa ansiedade, mesmo aquela que surge em nossos relacionamentos. Já ouvi falar que ansiedade é pecado. Em uma perspectiva absoluta, se eu confiar plenamente em Deus, realmente não terei ansiedade ou medo. Ao mesmo tempo, nosso Deus é aquele que se compadece de nossa limitação e de nossa ansiedade, tanto que nos pede para lançarmos sobre ele toda nossa ansiedade, pois ele tem cuidado de nós (1Pedro 5.7). Além disso, ele também afirmou que, à medida que vamos crescendo no amor dele, este lança fora todo o medo (1João 4.18). Imagine como será nosso casamento se pudermos reconhecer nossas inquietações a respeito do cônjuge e trazê-las diante de Deus.
A paz do reino se refere a uma condição em que o próprio Rei garante a nossa segurança, mesmo diante de conflitos.
O segundo passo é clareza. Em Filipenses 4.6-7, Paulo nos exorta a “apresent[armos nossos] pedidos a Deus”. É curioso como, ao longo dos anos, tenho observado que muitos conflitos conjugais explodem, aparentemente de forma inesperada, porque ambos os cônjuges haviam guardado queixas por muito tempo. Diante de uma queixa, temos duas opções: (1) eu decido que o tema não é importante e o lanço fora, ou (2) eu trato com sinceridade e sensibilidade (Efésios 4.15).
Certa vez li que um conflito tratado da maneira de Deus traz bênção. Gosto desta frase, pois ela mostra que um conflito não tratado não traz bênção e que um conflito tratado fora da orientação de Deus também não traz bênção. Logo, o terceiro passo ou promessa é que, se reconhecermos nossas queixas ou inquietações e as apresentarmos diante de nosso cônjuge e diante de Deus, ele promete que, mesmo diante de tensões, a sua paz, que excede todo o entendimento, guardará o nosso coração e a nossa mente.
Conclusão
Minha oração, pelo meu casamento e pelo seu, na verdade por qualquer relacionamento em que nós estivermos envolvidos, é que a paz do reino seja o seu fundamento.
Notas
- É possível conferir o relatório em: https://www.paznamidia.com.br/indices/julho-2025/.
- “Mais de 21 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses, revela pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública”, Fonte Segura, 12 mar. 2025. Disponível em: https://fontesegura.forumseguranca.org.br/mais-de-21-milhoes-de-brasileiras-sofreram-algum-tipo-de-violencia-nos-ultimos-12-meses-revela-pesquisa-do-forum-brasileiro-de-seguranca-publica/.
Autor
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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.
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