Diante do resultado das eleições recentes, o que devemos sempre lembrar acerca do local em que depositamos nossa confiança?
As últimas semanas foram tensas no Brasil. Por mais isento que seja o indivíduo, todos fomos atingidos por opiniões, relatos de manobras jurídicas, denúncias de corrupção, mentiras, acusações, promessas e previsões bombásticas.
A maciça maioria dos brasileiros passou o dia 5 de outubro processando o resultado das urnas. Alguns tentando explicar o que ocorreu; outros oferecendo análises e alternativas; muitos celebrando e aproximadamente o mesmo número lamentando.
Entre cristãos evangélicos, a grande maioria está celebrando. Alguns, mais entusiasmados, estão declarando uma virada espiritual. Outros se mostram esperançosos, e vários estão orando pelo segundo turno.
Como discípulos de Jesus, qual deveria ser a nossa posição? Devemos nos unir à turma que afirma que esse resultado agrada a Deus? Será que os pecados de um lado justificam ou relativizam os pecados do outro lado?
Em quem devemos confiar?
Pensando nisso, fui levado à conhecida passagem de Salmos 20.7: “Alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor, o nosso Deus”.
É curioso como Davi escreve sua poesia. Ele afirma que “alguns” confiam em carros e “outros” em cavalos. É como se houvesse o partido dos “carristas” e o partido dos “cavalistas”. Ambos os lados com certezas e dados comprobatórios de suas ideias e projetos.
O problema não estava em carros ou cavalos como instrumentos úteis. O mesmo ocorre com as ideologias que estão sendo propostas. Há muitos argumentos bons defendidos pela esquerda e muitos argumentos bons defendidos pela direita. Não quero dizer que ambos os lados são igualmente bons e eficazes. Ao mesmo tempo, vejo corrupção e engano nos proponentes de ambos os lados. Admito que me inclino mais para um lado do que para o outro, mas faço isso sem deixar de ouvir os argumentos e mesmo clamores do outro lado.

O que o Espírito quer nos ensinar por meio deste versículo é que há um ponto em que nossa confiança deveria realmente repousar. Este ponto é o Senhor Jesus.
Isso não é uma fuga do debate. Confiar no Senhor significa confiar que soluções propostas por Deus trarão resultados alinhados com a vontade de Deus. Há uma máxima pela qual procuro viver há muitos anos: devemos fazer o certo porque é certo, não porque vai dar certo!
Estudo de caso: aborto
Vamos olhar um tema sempre em pauta – a questão do aborto. Vejo muitos debates a respeito do tema e, quase invariavelmente, a discussão chega no momento em que o proponente da liberação do aborto usa uma de duas linhas de argumentação: (1) e a mulher que foi estuprada?, ou (2) não é melhor dar condições de saúde ao invés da mulher apelar para condições inseguras para realizar o aborto?
De que modo confiar no Senhor pode nos instruir nesse caso?
No caso do estupro, toda violência contra outro ser humano é uma tragédia. Especialmente uma violência que deixe como resultado uma criança “indesejada”. Confiar no Senhor significa assumir a verdade de Salmos 139.13-14: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção”.
Destruir ou matar um ser admirável pela culpa de seu pai biológico é negar a criação única e maravilhosa de Deus. Isso não resolve o problema gerado pela agressão, mas significa que há um caminho que o Senhor afirma ser o melhor.
No caso das condições mais saudáveis para o aborto, a Palavra afirma que toda escolha traz consequências. Na enorme maioria dos casos, uma gravidez não é resultado de estupro, mas da escolha de um homem e uma mulher de manter relações sexuais que podem gerar um filho. Legalizar o aborto para que a mãe tenha condições melhores para abortar é aliviar as consequências naturais de um crime. Veja o conselho de Provérbios 17.15: “Absolver o ímpio e condenar o justo são coisas que o Senhor odeia”. Repare que higienizar o aborto tanto busca absolver a mãe que, por diversas razões, decide matar seu bebê, quanto condena à morte aquele que é verdadeiramente inocente: o bebê.
Conclusão
O debate sobre o aborto certamente é muito mais amplo e complexo. Meu propósito aqui foi apenas exemplificar o que significa confiar no Senhor diante de opções humanas.
Minha oração é que, diante de um mundo repleto de tensões e hostilidade, muito acima de nossas preferências, continuemos a confiar no Senhor!
Autor
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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.
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