A Bíblia afirma que o mundo odeia a verdade. Eis um caso midiático atual que nos ajuda a entender isso.
Quem acompanha os noticiários internacionais talvez esteja ciente do julgamento de Lindsay Clancy. Esta jovem americana de 36 anos matou seus três filhos (de 5 anos, 3 anos e 8 meses).
Logo após cometer o assassinato, ela saltou da janela do segundo andar no que parece ter sido uma tentativa de suicídio. Ela ficou paraplégica como resultado da queda. Ao ser interpelada, ela confessou os três assassinatos. A defesa de Lindsay tem afirmado que ela cometeu o crime por estar tendo um episódio psicótico devido à depressão pós-parto. O promotor tem destacado várias inconsistências com tal defesa, alegando que ela cometeu o crime de forma premeditada e que nunca perdeu o senso de certo e errado.
Poderia ser apenas mais um caso trágico onde uma mulher, certamente afetada por condições de fragilidade mental, mata seus próprios filhos. Certamente há um aspecto diabólico neste caso, seja de uma intervenção direta do Maligno (embora nenhuma evidência assim tenha sido levantada), seja de uma intervenção indireta pelos múltiplos efeitos da Queda. No entanto, não há dúvida quanto a responsabilidade dessa mulher em terminar a vida de seus filhos. Como vivemos em tempo de polêmicas e de lutas ideológicas, não deveria nos surpreender o que veio a seguir.

Durante o julgamento de Lindsay, multidões cercaram a via de acesso ao tribunal portando camisetas cor-de-rosa com dizeres como “Sou do time da Lindsay”, “Poderia ser eu”, “Ela precisava de ajuda” e “Paz para Lindsay”. Elas defendiam que Lindsay não deveria ser considerada culpável, pois estava sofrendo um evento psicótico. A discussão ultrapassou rapidamente a questão jurídica ou médica e entrou em argumentos totalmente passionais.
Em um diálogo online registrado, um indivíduo alistou o que considerava provas de que Lindsay não estava sofrendo um episódio psicótico, mas totalmente consciente. A sua interlocutora afirmou: “Há momentos em que fatos não importam, mas sim o acolhimento”. Frases e defesas assim se multiplicam, provando mais uma vez que o ambiente das mídias sociais é um ambiente dos mais caóticos.
A morte da razão
Diante dessa tragédia, o que eu gostaria de destacar é a intensidade do ódio à verdade com o qual as multidões se manifestam. A questão não é se Lindsay estava enfrentando uma condição mental trágica ou mesmo se ela teve a ajuda que precisava. Isso será definido pela justiça.
Quero chamar a sua atenção para aquilo que tem sido nomeado de morte da razão.
É natural para o ser humano procurar aliviar sua culpa. Desde que Adão lançou sua culpa sobre Eva e mesmo sobre Deus (Gênesis 3.12), nós temos nos tornado especialistas em passar a culpa adiante.
Não sei o que motiva essa defesa tão passional daquelas mulheres pela mãe que se tornou assassina. No entanto, sei que em parte é um mecanismo de defesa. Para elas, um episódio de transtorno mental torna a pessoa inculpável. Isso pode se aplicar tanto a uma mulher grávida, cujo desespero decide que a solução menos “custosa” é matar seu filho ainda no ventre, quanto comportamentos agressivos em crianças, que são desculpados por alguma recém inventada condição neurológica.
Em Romanos 1.32, após apresentar uma longa lista de pecados (v. 28-31), Paulo escreve: “Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas merecem a morte, não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam”. Repare que o argumento da Palavra é que as pessoas sabem que estão erradas, mas defendem sua posição e, ainda mais, aprovam ou defendem quem igualmente as pratica.
O ser humano e a culpa
A realidade é que o mundo distante de Deus se sente acusado por ele, assim como Adão em Gênesis – que se escondeu. A sensação de culpa é parte inseparável do pecado. É por isso que a pessoa sempre se revolta contra a verdade quando a mentira promovida para se defender é confrontada com a realidade.
O mais relevante, no entanto, é que para nós a verdade tem nome. Verdade não é uma ideia ou conceito, mas uma pessoa. “Respondeu Jesus: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim’” (João 14.6). Assim, não é surpresa que odeiem a verdade. O próprio Jesus nos alertou em João 15.18: “Se o mundo os odeia, tenham em mente que antes me odiou”.
Quando nos deparamos com defesas sem sentido, de criminosos, de ideologias ou mesmo de políticos, lembrem-se de que o mundo odeia a verdade. O que para nós é salvação, para eles é perdição (Filipenses 1.27-29).
Autor
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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.
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