Três princípios que podemos extrair de 2Pedro 3.17-18.
“Pare! Já!” O assaltante foi pego em flagrante delito pelo policial. Nem um só passo para frente ou para trás, senão o caso poderia terminar mal. Você consegue imaginar essa cena dramática? De modo semelhante, também são dramáticas as palavras de Pedro em sua segunda carta aos cristãos da Ásia Menor, a região da atual Turquia, que pertence ao Oriente Médio:
“Portanto, amados, sabendo disso, guardem-se para que não sejam levados pelo erro dos que não têm princípios morais, nem percam a sua firmeza e caiam. Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém.” (2Pedro 3.17-18)
Naturalmente, Pedro não é o policial, e não houve ato ilícito praticado pela igreja. Porém, Pedro havia recebido de Jesus a incumbência muito pessoal de pastorear as ovelhas dele (João 21.16), tarefa que ele levou muito a sério como ancião da igreja. Ele se preocupava com suas ovelhas, o rebanho da igreja, e isso também incluía ser responsável e rigoroso. Os crentes da Ásia Menor precisavam ser lembrados de algo com urgência, pois Pedro sabia que ele não viveria mais por muito tempo. Ele estava preocupado com o “rebanho de ovelhas”. O que seria delas quando o “pastor humano” não vivesse mais? Especialmente diante da ameaça de sedução presente para os crentes da época. A sedução já existia naquela época – por isso esse texto é tão atual ainda hoje!
Existe um ditado que diz: “Para evitar críticas, não diga nada, não faça nada, seja um ‘ninguém’”. Pedro não seguia isso! Estar preocupado com as almas da igreja não significava apenas evitar os perigos, mas também alertar suas ovelhas dos mesmos. Assim, Pedro introduz suas últimas palavras em 2Pedro 3.17 dizendo: “Portanto, amados, sabendo disso, guardem-se…”. Trata-se de uma clara exortação de Pedro também para nós, hoje:
Permaneça firme!
Para nós é muito fácil sair de um caminho ou de um ponto de vista seguro para uma via errada ou para uma base movediça. Por isso é importante que saibamos onde estamos apoiados, isto é, qual é a nossa base. Isso se refere ao alicerce de nossa vida, nossas convicções, nossa posição diante da Palavra de Deus. Em Mateus 7 (o Sermão do Monte) lemos o relato de um homem prudente e de um homem insensato. Ambos construíram uma casa sobre bases diferentes. Jesus considera prudente o homem que construiu sobre a rocha. Por quê? Porque o fundamento rochoso representa a Palavra de Deus que é ouvida e aplicada na prática. As afirmações bíblicas, firmes como a rocha, eram questionadas pelos falsos mestres e sedutores antigamente – e ainda o são hoje.
Em 2Pedro 3.4 lemos: “O que houve com a promessa da sua vinda? Desde que os antepassados morreram, tudo continua como desde o princípio da criação”. O questionamento é o hobby de Satanás. Com quais perguntas somos tentados a abandonar nosso ponto de vista ao invés de permanecermos firmes com a Bíblia, a Palavra de Deus santa, infalível e inerrante? Nosso lema de vida deveria ser: o que a Bíblia diz?, e não: “Mas o fulano disse que…”, “meu pastor acha que…” ou “mas naquele livro diz que…”.
Naquela época, Pedro não se cansava de repetir os pedidos de Deus, que também eram os seus. Permaneçam firmes! Isso não é nenhuma novidade, certo? Mas você conhece o ditado que diz que “a repetição (ou recordação) é a mãe do aprendizado”? Pedro também queria que, após a sua morte, suas ovelhas estivessem “confortáveis”. Ele não se cansava de se preocupar por elas. Aliás, o cansaço nos leva rapidamente à resignação. E o que a resignação provocou no mundo evangélico podemos ver em nossas igrejas, como por exemplo na participação ativa de homossexuais, ou na celebração e bênção de uniões homoafetivas em nossas igrejas. Quando não se permanece firme com a Bíblia é muito fácil simplesmente ser arrastado pela corrente do modismo da fé. Se abandonarmos as diretrizes de Deus, não demorará muito para que não mais questionemos outras afirmações biblicamente fundamentais, mas simplesmente as joguemos fora.

Todavia, vamos deixar o “nós” de lado. Primeiro vem a pergunta: você e eu nos preocupamos com a nossa vida de fé estar em ordem? Que a sua e a minha vida de fé tenham o alicerce correto? Que a sua e a minha relação com Jesus estejam claras? No entanto, permanecer firme significa ainda mais do que somente estar firmemente parado. A paralização é retrocesso, por isso Pedro também diz:
Cresça!
Ao observarmos o versículo 18 de 2Pedro 3, então nós trocamos da exortação “não faça” para “faça”! Isto é: “Faça-o, siga em frente!”. Às vezes é muito bom saber tudo o que não se deve e não se pode. No entanto, a questão é: o que devo fazer ao invés disso? A Bíblia não nos deixa desabrigados nesse sentido. Por exemplo, em Efésios 4.29 lemos que não deve sair “nenhuma palavra torpe” da nossa boca. Em Provérbios 16.24 diz: “As palavras agradáveis são como um favo de mel, são doces para a alma e trazem cura para os ossos”. E, no versículo 18 de nosso texto inicial, Pedro escreve: “Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Crescer inclui acréscimo e multiplicação. Assim, o conhecimento é um processo de crescimento. Nosso Deus é tão grandioso que há muito a ser descoberto dele.
O conhecimento é um processo de crescimento. Nosso Deus é tão grandioso que há muito a ser descoberto dele.
Devemos conhecer cada vez mais sobre quem é Jesus Cristo e o que ele fez por nós. Permanecer firme, em seu contexto, também significa resistir quando somos provados por ele em situações e desafios especiais. Retrospectivamente, esses são justamente os momentos que Jesus aproveita para nos mostrar o que somos e o que ainda fazemos de errado, mesmo tendo sido salvos. Isso então significa viver pela graça, pois como posso ter a experiência de que Deus é o meu refúgio se está tudo bem comigo? Quando eu me conscientizo disso, então consigo viver em estrita comunhão com o Senhor. Preciso reconhecer diariamente que eu necessito do perdão de Deus. Jesus Cristo me presenteou com a vida eterna – e isso gratuitamente. Por isso nosso Senhor merece o nosso maior respeito. E só dessa maneira eu posso crescer.
Chegamos então a mais um item:
Sempre honre a Jesus!
Permanecer firme também significa viver para a honra de Deus, pois trata-se de Jesus Cristo e não de nós mesmos. “A ele seja a glória”, diz no final do versículo de 2Pedro 3.18. Jesus Cristo é o ponto central e crucial da sua e da minha vida. Às vezes, pensamos que ele não está presente com todo o caos do mundo, mas ele está. Devemos a Jesus Cristo tanto a nossa vida natural como a nossa nova vida espiritual. Lemos em 2Pedro 1.3: “Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade…”. O que mais queremos?
Às vezes, nós falamos de forma muito rápida sobre honrar a Deus, mas será que estamos mesmo falando seriamente? A palavra “honrar” significa tributar reconhecimento ou prestar “reconhecimento merecido” (a uma pessoa). Para nós, isso significa que Jesus Cristo merece nosso reconhecimento e apreço a qualquer momento. Sua Palavra, sua vontade, seus mandamentos e suas diretrizes também merecem respeito e que sejam levados a sério. Devemos colocar toda a nossa vida disposição dele; no entanto, nós ainda atrapalhamos mais a Jesus Cristo do que deveríamos.
Que você e eu permaneçamos corretamente e firmes sobre o alicerce de Deus e cresçamos em nossa vida de fé, para a glória dele!
Autor
-
Johannes Vogel é o reitor do Seminário Bíblico Breckerfeld, Alemanha. Com frequência é convidado como palestrante ou professor em eventos, tanto na Alemanha como no exterior.
Ver todos os posts