“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mateus 5.3).
Com esta frase começam as Bem-aventuranças de nosso Senhor Jesus Cristo. E quem são os “pobres em espírito”? Existem várias opiniões a respeito.
Algumas pessoas pensam: são pessoas com limitações intelectuais. Será verdade? Bem, é claro que Deus é misericordioso. Se alguém tem limitações intelectuais que o impedem de compreender muitas coisas, Deus pode ter misericórdia dessa pessoa. Não queremos excluir essa possibilidade. Mas, no contexto, certamente não é isso que se quer dizer.
Há ainda uma outra interpretação, certamente errada, a saber: são aqueles que não têm o Espírito de Deus. Então, são bem-aventurados aqueles que não têm o Espírito de Deus? Não, a Bíblia sempre diz o contrário: devemos nos deixar guiar pelo Espírito de Deus, que deve habitar em nós; não devemos entristecê-lo nem apagá-lo. Somos bem-aventurados precisamente quando estamos cheios do Espírito de Deus. Portanto, essa interpretação não pode estar correta.

Outra interpretação é: são os materialmente pobres. Ou seja, aqueles que não têm muito: pouco dinheiro, poucos bens; aqueles que vivem em condições precárias aqui na terra.
Somos bem-aventurados precisamente quando estamos cheios do Espírito de Deus.
A riqueza realmente pode ficar no caminho da salvação. A questão é: será que os materialmente pobres são automaticamente salvos e abençoados? Eles já fazem parte da bem-aventurança dos discípulos de Jesus? Não! Como todas as pessoas, eles precisam se converter a Jesus Cristo!
Quando os cristãos alcançam a riqueza, devem usá-la para o reino de Deus: para a missão, para o serviço, para os irmãos necessitados. Dessa forma, a riqueza pode ser uma bênção. Contudo, os materialmente pobres não são automaticamente salvos e bem-aventurados, a menos que se tornem discípulos de Jesus, quando essa pobreza os leva a Jesus e eles reconhecem que não podem fazer nada sem o Senhor (cf. João 15,5). A bem-aventurança, portanto, não depende do exterior (da posição social), mas do interior (da atitude do coração humano em relação a Deus).
E é por isso que existe a quarta e mais adequada interpretação desse conhecido versículo: “Bem-aventurados os mendigos em espírito; aqueles que estão conscientes de sua pobreza diante de Deus”.
Não podemos oferecer a Deus riquezas materiais nem realizações espirituais. Ele nos deu tudo, tudo como ele deseja, tudo é um presente da graça. Bem-aventurados os mendigos em espírito. Aqueles que estão conscientes de sua pobreza diante de Deus. Eles sabem: somos falidos diante de Deus e somente ele pode preencher nosso vazio. Também neste novo ano!
Autor
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Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.
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