Um estudo realizado na Finlândia nos ajuda a entender como toda rebeldia contra os desígnios de Deus destrói a nossa vida.
O encontro teve lugar em uma casa onde um grupo de pais se reuniam mensalmente para conversar e orar por seus filhos envolvidos com homossexualidade. Os pais eram cristãos tradicionais e lutavam com maneiras de tratar, conversar e conviver com seus filhos, visto que não compreendiam o que estava ocorrendo com eles.
Eu participei desses encontros pelo menos três vezes, quando passava pela cidade. Além de ouvir histórias tristes e a dor de pais diante do posicionamento de seus filhos, um fato chamou a minha atenção: dos 7 a 8 jovens ali representados por seus pais, praticamente todos tinham algum tipo de distúrbio psiquiátrico devidamente diagnosticado. Guardei a informação comigo, visto que era um dado isolado. Não sabia se poderia ser extrapolado.
Nesta semana, eu li um estudo conduzido por uma universidade na Finlândia. O estudo foi longitudinal (conduzido ao longo de 23 anos) com um grupo de cerca de dois mil adolescentes e jovens adultos finlandeses.[1] Todos tinham um diagnóstico de disforia de gênero, definida como “uma identidade de gênero não corresponde ao seu sexo biológico”. Esses jovens buscaram, então, tratamentos hormonais e cirúrgicos conhecidos como redesignação médica de gênero. Para efeitos de comparação, também foram estudados cerca de 16 mil jovens que não apresentavam tal diagnóstico.
O estudo é bastante técnico, mas ele concluiu que os jovens que buscaram esse procedimento já apresentavam uma porcentagem maior de distúrbios psiquiátricos do que a população que não apresentava disforia de gênero. O que foi mais surpreendente é que, após o tratamento, esses distúrbios pioraram na maioria dos casos.

Os dados mostram que houve um aumento de distúrbios de jovens do sexo masculino que buscaram uma redesignação feminina (de 9,8% para 60,7%) e de meninas que buscaram uma redesignação masculina (de 21,6% para 54,5%). Em outras palavras, os procedimentos médicos hormonais ou cirúrgicos não ajudaram, mas pioraram a saúde mental desses jovens. Importa destacar que a pesquisa foi conduzida por uma equipe altamente qualificada e sem nenhuma ligação a qualquer grupo religioso.
Isso tudo pode ser visto apenas como mais munição para conservadores denunciarem abusos que uma ideologia está promovendo na sociedade em geral. Isso é verdade, mas para nós, cristãos, há um elemento mais profundo. Nós lemos em Romanos 1.25: “Trocaram a verdade de Deus pela mentira”. Desde o versículo 18, Paulo descreve homens que “suprimem a verdade”. E, é claro, no lugar da verdade eles precisam colocar uma mentira ou um sistema de mentiras. No entanto, em outro lugar Paulo lembra que “de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá” (Gálatas 6.7). Uma mentira não resiste ao teste do tempo. A falsa promessa de que alguém pode “redesignar” seu gênero e assim ser mais feliz é uma mentira. A maioria daqueles que o fazem se sentem piores, mesmo após os procedimentos médicos.
Isso não deveria nos espantar, pois foi justamente a promessa do Diabo para Eva em Gênesis 3.5: “Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal”. Em outras palavras, existe um caminho alternativo que é melhor, traz resultados melhores do que aquilo que Deus propõe. Na verdade, há uma sugestão de que Deus ocultou a verdade, pois não deseja que sejamos felizes ou autônomos.
Isto é a essência do pecado. Não importa a mentira, toda rebeldia contra os desígnios de Deus destrói a nossa vida. Qualquer que seja o caso: o marido que passa a acreditar que outra mulher vai torná-lo mais feliz, ou aquele que não perdoa achando que assim vai se proteger, ou ainda aquele que retém o que pertence a outro convicto de que assim terá um futuro mais seguro. Em cada caso temos uma mentira que parece mais agradável, mais de acordo com os nossosdesejos. Agindo assim, suprimimos a verdade pela mentira. No entanto, como o estudo acima comprova, a mentira ainda é só isso – uma mentira. Assim como a redesignação de gênero não traz felicidade – pelo contrário, piora a saúde mental –, toda ação contra a vontade de Deus traz destruição e morte.
Eu me compadeço daqueles que, crendo em mentiras passam, neste caso, por procedimentos médicos, em geral irreversíveis, para buscar felicidade em uma mentira. Compadeço-me também de tantos que, seguindo suas mentiras favoritas, se afastam da vontade de Deus e seguem de abismo em abismo (Salmos 42.7). Oro por mim e por você, para que o Espírito Santo nos guie em toda a verdade, livrando-nos assim da armadilha do Diabo. Este, sim, é o caminho de uma vida plena!
Nota
- Sami-Matti Ruuska et al., “Psychiatric Morbidity Among Adolescents and Young Adults Who Contacted Specialised Gender Identity Services in Finland in 1996–2019: A Register Study”, Acta Paediatrica (2026), p. 1-9. Disponível em: https://doi.org/10.1111/apa.70533. Acesso em: 22 abr. 2026.
Autor
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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.
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