“Se alguém lhe der um tapa na face direita, ofereça-lhe também a face esquerda” (Mateus 5.39b).
Se tentássemos bater em alguém com a palma da mão direita, acertaríamos a bochecha esquerda. Aqui em Mateus 5, trata-se do golpe humilhante desferido com as costas da mão direita na bochecha direita do adversário. Na Idade Média, esse gesto era um desafio para um duelo, para uma luta sangrenta. Ao oferecer a outra face, estamos dizendo: não vou duelar contigo, mas vou orar por ti, para que sejas libertado do teu ódio e da tua violência.
Nosso modelo é Jesus Cristo, o Senhor, que viveu na terra como o Servo sofredor de Deus, conforme já havia sido predito no Antigo Testamento: “Ofereci as costas aos que me batiam e o rosto aos que me arrancavam a barba; não escondi o rosto dos que me afrontavam e cuspiam em mim. Porque o Senhor Deus me ajuda. Por isso, não serei humilhado; por isso, fiz o meu rosto como uma pedra e sei que não serei envergonhado. Perto está o que me justifica. Quem ousará entrar em litígio comigo?” (Isaías 50.6-8).
Nós, discípulos de Jesus, devemos viver de maneira diferente do mundo.
Jesus Cristo, o único Justo, confirmado pelo Pai como seu Filho por meio da ressurreição dentre os mortos, ofereceu seu rosto, suas costas e seu corpo em sacrifício. Ele não retribuiu nem com palavras nem com atos. Assim se diz a respeito dele: “Pois ele, quando insultado, não revidava com insultos” (1Pedro 2.23). Essa é uma grande tarefa e um grande desafio para nós, fracos seres humanos, que queremos ser discípulos dele. Com que rapidez nossa mão escorrega!
No mundo, muitas vezes prevalece a lei do mais forte. Quem é mais brutal nas palavras e nos atos acaba se impondo. Mas nós, discípulos de Jesus, devemos viver de maneira diferente do mundo. Não devemos revidar, mas permanecer calmos e serenos, orar pelos inimigos e oferecer a outra face. Somente assim poderemos quebrar o ciclo da violência.
É claro que, se alguém ameaçar nossa vida ou nossa integridade física, podemos pedir ajuda à polícia. Trata-se aqui, em primeiro lugar, de pôr fim à contenda mantendo o silêncio: quando o cristão se cala, o inimigo não encontra mais alimento. Se eu for insultado e disser: “Oro por você e o abençoo”, então o outro, se Deus assim o permitir, acabará por se envergonhar, refletir e se arrepender.
Autor
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Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.
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