Orando com o Coração no Lugar Certo

“E, quando orarem, não sejam como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos pelos outros. Em verdade lhes digo que eles já receberam a sua recompensa. Mas, ao orar, entre no seu quarto e, fechada a porta, ore ao seu Pai, que está em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa.” (Mateus 6.5-6)

Orar é uma questão dos lábios ou do coração? É claro que, antes de tudo, do coração! Mesmo uma pessoa muda, que não consegue falar, pode orar – e Deus pode ouvi-la. Deus não precisa de um ouvido físico externo para ouvir nossas palavras, pois enxerga o estado do nosso coração. “O ser humano vê o exterior, porém o Senhor vê o coração” (1Samuel 16.7).

Como a oração é uma questão do coração e expressa uma relação pessoal com Deus, Jesus diz: “Ao orar, entre no seu quarto e, fechada a porta, ore ao seu Pai, que está em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa”.

Os hipócritas agem de maneira diferente, como o Senhor Jesus advertiu: eles ficam nas ruas e nas praças e oram em público. Isso ainda é muito comum em Israel hoje em dia – talvez o exemplo mais conhecido seja o Muro das Lamentações, em Jerusalém.

É claro que, mesmo ao lidarmos com isso, não podemos ler o coração das pessoas e não devemos julgar quem ora. Uma oração em público também pode ser feita com sinceridade. No entanto, o Senhor Jesus nos adverte contra isso, pois o risco de que motivos mesquinhos se infiltrem na oração é muito grande. Por exemplo, que a pessoa, ao orar, pense mais nas pessoas ao seu redor do que em Deus. Ou que ela não esteja realmente falando com Deus, mas ocupada em impressionar as pessoas ao seu redor com sua piedade.

Vale o seguinte no que tange orações pessoais: de coração para coração, da criança para o Pai.

Não apenas no judaísmo, mas também em outras religiões, como, por exemplo, no islamismo, a oração em público é muito comum. Mas também no âmbito cristão existe o risco de se exibir: assim, por exemplo, algumas denominações, especialmente a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa Russa, atribuem grande importância a certas vestimentas e trajes tradicionais, que acabam destacando quem os usa diante das pessoas. Isso acarreta o risco de se exibir ou de alimentar o orgulho de se destacar das outras pessoas e de querer ser alguém especial.

Jesus adverte contra aqueles que andam com vestes pomposas ou mantos e se exibem diante dos outros – os escribas (Mateus 23). As aparências podem se tornar uma armadilha para nós e para os outros. Quem, ao orar, quer agradar às pessoas, já recebeu sua recompensa, a saber, a forma de ser admirado pelas pessoas. De qualquer forma, o Senhor Jesus adverte que quem exibe sua piedade não terá mais recompensa no céu.

Logo, vale o seguinte no que tange orações pessoais: de coração para coração, da criança para o Pai, a quem podemos até chamar de “Aba, Pai”. Acho útil a imagem da letra U para a oração: aberta “em cima”, fechada “embaixo”. Aberta “em cima”, a oração da pessoa está voltada para Deus; “embaixo” não devem vir influências perturbadoras; além disso, as pessoas não devem poder olhar para nós enquanto oramos, e nós não devemos olhar para as pessoas. Ore com sinceridade!

Autor

  • Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.

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