A Jornada de um Falso Mestre

Diante de mais um falso mestre revelado, quais são alguns dos sinais que geralmente ocorrem na jornada de tais pessoas? E como isso deve nos servir de alerta? 

Você não se surpreende como somos facilmente enganados por pessoas que se fazem atraentes?

Ao longo da história, líderes surgiram em diferentes períodos com uma enorme capacidade de atrair pessoas para suas ideias e filosofias. E desastres e tragédias têm ocorrido por meio desses líderes – competentes em sua capacidade de atrair seguidores para si. Exemplos desde Hitler e o movimento nazista, que levaram milhões de alemães cultos e com bases cristãs a um dos mais trágicos acontecimentos políticos da história ocidental, até o emblemático caso da seita Templo do Povo, de Jim Jones, que levou mais de 900 pessoas a um suicídio coletivo, incluindo pais que deram aos próprios filhos o veneno que tomariam logo depois.

Como é que tais líderes enganam tantos por tanto tempo e os levam a fazer coisas que normalmente não fariam? Como é que uma ideologia passa a não ser apenas a única explicação do mundo, como também a única esperança de tantas pessoas?

A jornada de um falso mestre

Recentemente recebi uma exortação de Deus assistindo ao vídeo de um ateu! O falso mestre aqui é conhecido por Berlofa, e recebi o link de um amigo. Naquele vídeo, Berlofa está anunciando que deixou de ser pastor, que encerrou a igreja que liderava e abandonou definitivamente o seu ministério.

O que eu chamo de um alerta de Deus é a sequência que o próprio Berlofa traz. Após começar agradecendo a seus mais de 500 mil seguidores, que o têm acompanhado em sua trajetória desde 2018, ele: (1) declara que começou como um pastor progressista e antibolsonarista a defender os movimentos LGBT e feminista – “e vocês me acompanharam”; (2) em seguida começou a beber em seus vídeos, falar sobre sexo e a usar palavrões – “e vocês me acompanharam”; (3) em certo ponto, começou a defender o uso da maconha – “e vocês me acompanharam”; (4) ao passar por seu divórcio, começou a defender e a praticar o poliamor (relacionar-se sexualmente com várias pessoas) – “e vocês me acompanharam”; (5) por fim, chegou agora à sua posição oficial de ateu e de encerrar qualquer relação com a igreja evangélica, chegando a definir com palavras igualmente grosseiras o cristianismo como prejudicial e desprezível… E agora, será que muitos o acompanharão?

Sinceramente, fico mais surpreso com a permanência de seus seguidores (segundo ele em sua maioria) do que pelas falsidades que ele tem espalhado. O que faz com que pessoas, ditas cristãs, acompanhem alguém que descontrói a fé, é grosseiro no falar e afronta todos os demais cristãos? Ele parece se divertir com o fato de que essas pessoas o acompanharam por todo aquele tempo, até chegar à sua declaração de ateísmo e hostilidade ao cristianismo.

Um roteiro da apostasia

Em parte, fico triste com essa vida preciosa que se perdeu; em parte, fico feliz com seu posicionamento aberta e claramente como inimigo da fé. Ele já tem sido inimigo da fé ao longo de anos, mas agora ele mesmo reconhece isso. Seus seguidores são ao mesmo tempo vítimas e promotores desse desvio. E, perceba, seu desvio segue um roteiro tão comum que chega a ser cansativo. Deixe-me, então, usando este caso trágico, alistar alguns sinais da jornada de um falso mestre:

  1. Ele negará posturas morais declaradas pela Bíblia e desprezazrá o ensino de outros cristãos ao longo da história. Em Judas 3, lemos: “Insistindo que batalhassem pela fé de uma vez por todas confiada aos santos”. Um falso mestre tanto vai negar a fé entregue aos santos como também vai denunciá-los como hipócritas e perversos.
  2. Em algum momento, ele terá um desvio moral pessoal, geralmente na área familiar. Isso se dá em conjunto com seu ensino distorcido. O autor de Hebreus nos alerta: “Lembrem-se de seus líderes, que lhes falaram a palavra de Deus. Observem bem o resultado da vida que tiveram e imitem sua fé” (Hebreus 13.7). É difícil saber se esse desvio pessoal é devido ao seu ensino distorcido ou se o ensino distorcido é usado para justificar o desvio pessoal. O fato é que ambos andam juntos.
  3. Por fim, ele não pode mais afirmar qualquer tipo de fé em Deus e em sua Palavra. Na verdade, seu compromisso nunca foi com o serviço de Deus, mas com sua autopromoção. O apóstolo Paulo alertou os líderes da igreja em Éfeso: “Sei que, depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos” (Atos 20.29-30).

Conclusão

Minha oração, tanto por Berlofa como por seus seguidores, é que “Deus lhes conceda o arrependimento” (2Timóteo 2.25). Por você e por mim, rogo que o mesmo que nos chamou à fé nos preserve caminhando em fé e fidelidade ao nosso Senhor.

Autor

  • Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

    Ver todos os posts

Produtos relacionados

Artigos relacionados