“Amem os seus inimigos.” (Mateus 5.44)
O amor incondicional e abnegado pelo inimigo encontra sua única base na vida e nos ensinamentos de Jesus. O próprio Jesus nos capacita a amar assim, pois, por meio de sua morte sacrificial na cruz, fomos reconciliados com Deus quando ainda éramos inimigos, pecadores e separados dele.
Aquele que superou a inimizade entre Deus e o homem também deseja superar a inimizade entre os homens. Por isso, como crentes, ele nos inclui em sua obra de reconciliação e nos torna “reconciliadores reconciliados”. Ele nos sustenta e nos concede força para amar incondicionalmente.
E, mesmo quando falhamos, podemos confiar na sua misericórdia e perdão. Se estivermos unidos a Jesus, o mandamento de amar os inimigos não nos parecerá mais uma lei opressiva, mas uma palavra de encorajamento que nos liberta, a fim de que possamos transmitir aos outros o amor de Deus que experimentamos através de Jesus.
Aquele que superou a inimizade entre Deus e o homem também deseja superar a inimizade entre os homens.
O amor ao inimigo encontra seu limite no mal que existe no mundo. O cristão é chamado a amar mesmo assim ou a sofrer como alguém que se recusa a aceitar o mal.
As autoridades (e também o cristão no exercício de um cargo público), porém, devem, de acordo com Romanos 13, combater ativamente o mal e os malfeitores – por amor ao bem que precisa de proteção. Para o Estado, o principal é manter a justiça – mais do que isso ele não pode fazer, pois nem todos são cristãos que (deveriam) estar no amor de Cristo. No entanto, em questões de justiça, o Estado deve agir com clemência sempre que houver a possibilidade de que o mal seja corrigido pela experiência do amor que perdoa.
Concretamente, isso significa: como cristão, respondo com amor àquele que me amaldiçoa, odeia, insulta e persegue pessoalmente. No entanto, se ocupo um cargo que me incumbe de proteger outras pessoas contra crimes, terrorismo, assassinatos e injustiças, devo combater o mal, assim como qualquer não cristão na mesma posição. Quando o bem e o mal entram em conflito, uma tolerância ao mal não deve, em hipótese alguma, suplantar o amor pelo bem, pelo amigo ou pelo irmão.
Autor
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Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.
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