Cuidados no Serviço ao Próximo

“Se alguém obrigar você a andar uma milha [aprox. 1,5 km], vá com ele duas” (Mateus 5.41).

A milha mencionada por Jesus era uma distância que as forças de ocupação romanas podiam obrigar um judeu a percorrer, por exemplo, para prestar serviço de transporte. (Por isso Simão de Cirene foi obrigado a carregar a cruz de Jesus.)

Ela também podia se referir a um trecho perigoso do caminho, no qual se deve acompanhar alguém que solicitou ajuda. Com a “segunda milha”, o cristão deve demonstrar que ama o próximo e está disposto a lhe fazer o bem. O serviço ao próximo caracteriza o comportamento real do verdadeiro discípulo de Jesus!

O serviço ao próximo caracteriza o comportamento real do verdadeiro discípulo de Jesus!

Esse princípio de ir além do esperado também pode se manifestar no acompanhamento das pessoas que nos procuram em busca de ajuda. É importante que, para nós, a pessoa que busca ajuda esteja em primeiro lugar, mesmo que isso atrapalhe nossos planos diários.

Em situações de emergência aguda, isso muitas vezes significa dedicar-se a ir além do necessário. A pessoa necessitada que Deus coloca à minha porta tem prioridade sobre todos os outros afazeres. Nesse caso, dedicar tempo quando se tem muito trabalho é um sacrifício grande, mas necessário.

O amor ao Senhor Jesus deve ocupar o primeiro lugar em nossa vida; depois, o amor à família, sendo que o cônjuge vem antes dos filhos; após isso vem o amor à igreja; e, só em quarto lugar, o empenho na profissão. Infelizmente, essas prioridades são frequentemente invertidas.

É claro que podem surgir situações de estresse no trabalho, para as quais a família precisa demonstrar compreensão. No entanto, nunca devemos esquecer de reservar tempo suficiente para a família. Assim, o pai ou a mãe que trabalha deve frequentemente reservar “horários para as crianças” em casa, nos quais dedique tempo conscientemente aos filhos. Isso exige muita disciplina, mas fará bem a todos.

O amor ao Senhor Jesus deve ocupar o primeiro lugar em nossa vida.

Passemos agora à palavra do Senhor Jesus: “Dê a quem lhe pede e não volte as costas ao que quer lhe pedir emprestado” (v. 42).

A esse respeito, devo dizer que não podemos aliviar o sofrimento de todos. Como lidar pedidos de doações? Acho que é preciso ter cuidado, pois muitas vezes há fraude por trás disso. Não podemos dar a todos que nos pedem.

Pessoalmente, prefiro doar dinheiro quando conheço as pessoas envolvidas. Devemos doar sempre que Deus nos mostra uma necessidade real, especialmente no nosso próprio entorno.

Em hipótese alguma devemos dar dinheiro a mendigos alcoólatras, pois, caso contrário, estaríamos incentivando sua doença. Nesse caso, é melhor comprar algo para eles comerem, talvez acompanhado de um folheto evangelístico. Nessa situação, é preciso ter sabedoria para saber como ajudar de forma que o auxílio seja realmente eficaz.

Autor

  • Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.

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