O Que Nos Leva a Estudar a Palavra?

Uma reflexão sobre o conselho de Paulo em 1Timóteo 4.8 e a necessidade de sermos disciplinados em nosso estudo devocional da Palavra de Deus.

Completei 68 anos de idade há alguns dias. Devido à influência de minha esposa maratonista, tenho buscado uma rotina de exercício e procurado cuidar de minha alimentação nesses últimos três anos. Certamente ainda não faço tudo o que deveria… No entanto, percebo que tenho mais disposição, que caminhadas e viagens se tornaram mais fáceis e mesmo prazerosas.

Em resumo, uma vida disciplinada (ainda que eu tenha muito a melhorar) já tem dado resultado. Sei bem o que o apóstolo Paulo diz no começo de 1Timóteo 4.8: “O exercício físico é de pouco proveito”. Repare que ele não afirma que não é proveitoso, mas que tem pouco proveito. Para mim, além do bem-estar, o maior proveito é uma perspectiva de vida disciplinada que atinge também outras, e mais importantes, áreas da minha vida.

Disciplina na meditação da Palavra

Uma dessas áreas mais importantes é o meditar na Palavra. Tenho o privilégio de trabalhar com a Palavra, o que me leva a passar horas estudando, lendo e ensinando a Bíblia.

Mas não se engane, o tempo investido no preparo de mensagens e aulas não substitui o tempo devocional. Pelo contrário, muitos pastores e professores de teologia reconhecem que o estudo da Palavra para o ministério pode muitas vezes anestesiar nossas almas para um encontro mais profundo com o Senhor.

Assim, minha pergunta é: o que me faz estudar a Palavra para alimentar minha alma? O que me motiva para investir um tempo de estudo devocional, que não só aumente meu conhecimento, mas principalmente aprofunde minha relação com meu Senhor?

Recentemente li Colossenses 3.16 na Nova Versão Transformadora (NVT). Já havia lido antes e mesmo estudado e ensinado sobre este versículo, mas essa tradução tocou meu coração de um modo novo: “Que a mensagem a respeito de Cristo, em toda a sua riqueza, preencha a vida de vocês”. Esse trecho traduzido de modo brilhante pela comissão tradutora da NVT trouxe à tona uma perspectiva que certamente anseio em minha vida. Quero que a mensagem a respeito de Cristo “encha” minha vida em toda a sua riqueza!

Lendo os primeiros 16 versículos do salmo 119, reparei que o Espírito destaca pelo menos nove vezes reações emocionais para com a Palavra. De uma forma muito direta, o salmista aponta para o fato de que quem investe tempo nela é mais feliz!

Embora eu estude a Bíblia há tantos anos, muitas vezes percebo que evito investir em um tempo de leitura e meditação pessoais. Ao me empolgar com um trecho, frequentemente começo a montar uma mensagem ou aula.

Quero deixar claro que existe alegria nisso e não creio que seja errado. No entanto, há um lugar insubstituível para a meditação devocional. Não podemos ler apenas pelo conhecimento. Precisamos ler como quem lê a carta de um ente amado – com calma, absorvendo cada frase, imaginando uma conversa pessoal com aquela pessoa.

Voltando à pergunta do título deste texto, desejo alistar algumas razões a partir da passagem de Salmos 119.1-16.

  1. Meditar e alinhar minha vida com a Palavra me dá uma vida mais completa e satisfatória. Para isso preciso estudar a Palavra (v. 1-2).
  2. Conhecer e viver a Palavra me poupa de muito constrangimento diante de meu Senhor (v. 5-6).
  3. Conhecer e entender as implicações dos mandamentos me ajuda a conservar meu caminho puro aos olhos do Senhor (v. 9-11). E não, este princípio não é somente para o jovem.
  4. Ao meditar e compreender os preceitos e ensinamentos dele, regozijo-me em quem meu Deus é (v. 16).

Nem sempre sou motivado a estudar a Palavra pelo prazer de fazê-lo, mas com frequência pelo prazer que resulta de tal exercício. Deixe-me encorajá-lo a exercitar-se na Palavra, pois, como a segunda parte de 1Timóteo 4.8 afirma: “A piedade, porém, para tudo é proveitosa, porque tem promessa da vida presente e da futura”.

Autor

  • Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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