Outro Tipo de Falso Profeta

“Cuidado com os falsos profetas, que se apresentam a vocês disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Pelos seus frutos vocês os conhecerão. Por acaso se colhem uvas de espinheiros ou figos de ervas daninhas?” (Mateus 7.15-16)

A maioria dos falsos profetas tenta tornar larga a porta estreita e, com isso, atrai as pessoas para o espaçoso caminho da perdição.

No entanto, há também outro tipo de falsos profetas, que tentam tornar a porta estreita ainda mais estreita do que ela realmente é. Eles fazem isso ao tentar impor às pessoas mandamentos adicionais que não provêm de Deus. As Escrituras nos alertam contra isso, por exemplo, em 1Timóteo 4.1-5:

“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm a consciência cauterizada, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com gratidão pelos que creem e conhecem a verdade. Pois tudo o que Deus criou é bom, e, se recebido com gratidão, nada é recusável, porque é santificado pela palavra de Deus e pela oração.”

Aqui se faz referência a um ascetismo equivocado – uma abstinência desnecessária e excessiva. Em 1Coríntios 7, os cônjuges são exortados a abster-se da vida sexual apenas com a finalidade de se dedicar temporariamente à oração. Normalmente, recomenda-se que o homem e a mulher se casem, a menos que uma pessoa saiba ter sido chamada por Deus ao celibato. Isso, porém, não deve ser entendido como um requisito adicional para a salvação, mas simplesmente como uma orientação pessoal.

É igualmente absurdo apresentar regras e proibições alimentares como essenciais para a salvação. Dessa forma, a porta estreita torna-se ainda mais estreita do que Jesus pretendia, e, sem perceber, a pessoa acaba no caminho espaçoso, que é marcado pelo orgulho e pela arrogância: considera-se mais piedosa do que os outros (o problema espiritual dos fariseus!) e, por isso, embora se ache muito rigorosa, paradoxalmente está no caminho largo que leva à perdição. Os fariseus sucumbiram a esse perigo, pois se consideravam melhores, mais piedosos e mais santos do que os demais, quando na verdade viviam na hipocrisia.

Muitos falsos profetas ensinam uma “santificação” extrema e afirmam que, dessa forma, é possível alcançar a “perfeição” aqui na terra. Contudo, no fim das contas, trata-se de um esforço vão, feito com as próprias forças. O sacrifício de Jesus no Gólgota – o único meio de salvação para a nossa bem-aventurança eterna – passa a ser secundário ou insuficiente. Tais ensinamentos são, naturalmente, os mais perigosos para nós, cristãos, pois se assemelham enganosamente à verdade, mas essencialmente se afastam do cerne do evangelho.

Não seja seduzido!

Autor

  • Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.

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