Descansando na Obra de Cristo

Um breve testemunho pessoal de como a obra de Cristo por mim trouxe descanso e paz à minha vida.

Cresci em uma família cristã que frequentava regularmente uma igreja protestante histórica. Desde pequeno ouvi histórias da Bíblia, decorei versículos e aprendi princípios morais bíblicos. Infelizmente, no entanto, eu nunca entendi a proposta do evangelho da graça. Imagino que o evangelho foi apresentado, talvez várias vezes. Todavia, eu nunca o entendi até chegar à adolescência.

Assim, cheguei em um acampamento cristão aos 15 anos de idade com duas convicções muito bem enraizadas. Primeira, eu acreditava em um Deus santo e justo, o que era uma ideia aterradora para mim, pois minha segunda convicção era a do meu próprio pecado.

Eu tentava de todas as formas manter uma “contabilidade espiritual”. Nesse esforço, eu comparava minhas boas ações (infelizmente não tão numerosas) com meus erros e pecados (muito mais frequentes). Logo, vivia com uma constante sensação de estar em dívida moral com esse Deus santo e justo.

Naquela semana, fui surpreendido com uma apresentação do evangelho constante, direta e muito clara. Minha primeira reação foi achar que aquilo não podia estar certo. Era muito fácil e, como alguém que vivia em um sistema meritocrata, a salvação somente pela fé – sem exigir nenhum mérito meu – não podia ser real. Lutei durante toda a semana até que, no último dia, rendi-me a Jesus e aceitei tanto meu estado de pecado quanto sua obra redentora em minha vida.

A mudança foi intensa. Na primeira semana após meu retorno, li todo o Novo Testamento. Eu tinha fome da Bíblia, ainda que minha compreensão fosse limitada. O livro de Romanos foi um desafio para mim. No capítulo 1 ficou claro que os pagãos estavam condenados. No capítulo 2 os religiosos estavam condenados (isso me atingia de modo especial). No capítulo 3 todos estavam condenados. O capítulo 4 ficou muito confuso, e eu já estava pensando em parar, quando cheguei no primeiro versículo do capítulo 5: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”. Ali encontrei fôlego para atravessar os capítulos 6 e 7, mas ainda sem compreender muito além da minha condenação sem Cristo.

Foi no primeiro versículo do capítulo 8 que o Espírito atingiu o âmago de minha alma: “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus”. Hoje tenho uma compreensão muito melhor da mensagem de Romanos e desse versículo, mas duas verdades saltaram aos meus olhos naquela época. Primeira, já não havia condenação sobre mim! Isso não significava que eu já não tinha pecados, mas que Jesus havia tomado sobre si todo castigo referente a eles.

O segundo conceito que na época me impactou foi justamente a expressão “estar em Cristo Jesus”. O que eu compreendi na época era apenas que eu estava como que “escondido” em Cristo. Isso me bastou e me encorajou naquele primeiro momento.

Hoje, essa passagem tem um papel muito mais relevante como um dos versículos centrais no que tange o trabalho salvífico de Cristo. Além da promessa fundamental de que não há condenação para todo aquele está em Cristo Jesus, podemos alistar outras obras de Cristo para com seus discípulos:

  1. Purifica do pecado. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1João 1.9). Além do perdão, o próprio Cristo nos purifica, nos liberta do pecado que ainda habita em nossa carne. Podemos ter vitória sobre o pecado por estarmos “em” Cristo.
  2. Aperfeiçoa. “Porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (Hebreus 10.14) A palavra para aperfeiçoar é a mesma traduzida como “completo” ou “maduro” (Tiago 1.4). Jesus não só nos salva, mas nos transforma por meio do Espírito Santo.
  3. Abençoa. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo” (Efésios 1.3). Além dessas obras em nós, Jesus nos abençoa com todo tipo de bênção espiritual que necessitamos.
  4. Tornou coerdeiros. “E, se somos filhos, somos também herdeiros; herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, se com ele sofremos, para que também com ele sejamos glorificados” (Romanos 8.17). Por fim, além de tudo mencionado acima, somos – pelo fato de sermos filhos juntamente com Cristo – chamados de coerdeiros junto com nosso Irmão mais velho (João 3.16).

Minha oração por você e por mim é que possamos descansar em toda a obra de Cristo por nós!

Autor

  • Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

    Ver todos os posts

Produtos relacionados

Artigos relacionados

“Será que existe entre os ídolos dos gentios algum que faça chover? Ou podem os céus por si mesmos dar...