“Não acumulem tesouros sobre a terra, onde as traças e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntem tesouros no céu, onde as traças e a ferrugem não corroem, e onde ladrões não escavam, nem roubam. Porque, onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração.” (Mateus 6.19-21)
Gostaria de iniciar esta reflexão com dois exemplos que li há algum tempo no jornal. Falava-se de um ganhador da loteria que havia recebido milhões. Ele gastou esse dinheiro sem medida, especulou com ações e investimentos arriscados e, ao fim de um ano, havia perdido todo o dinheiro. Devido à sua situação financeira, acabou até se tornando ladrão e foi parar na prisão. A riqueza não lhe trouxe felicidade, mas sim ruína.
O segundo exemplo é menos dramático, mas também revelador: uma família também ganhou uma grande quantia na loteria. Agora, essas pessoas têm muito medo de serem roubadas ou de receberem pedidos de esmola e precisam, com receio, manter seu anonimato. Com a riqueza, veio a grande preocupação de perdê-la novamente.
Muitas vezes, as pessoas também têm medo de exibir suas joias valiosas em público e, por isso, as mantêm trancadas em casa com receio – uma situação quase grotesca.
Para o autor bíblico, tanto a pobreza quanto a riqueza representam um perigo para uma vida piedosa.
Assim, nos perguntamos: a riqueza terrena traz felicidade? Existe diferença entre a verdadeira e a falsa riqueza? O que a Bíblia diz sobre riqueza e pobreza? Nossos bens consistem em bens terrenos, em tesouros da terra – ou temos um tesouro no céu?
Uma passagem bíblica de fundamental importância sobre a relação correta com os bens terrenos é a oração em Provérbios 30.7-9: “Duas coisas te peço, ó Deus; não recuse o meu pedido, antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário, para não acontecer que, estando eu farto, te negue e diga: ‘Quem é o Senhor?’ Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus”.
A partir disso, percebemos que mesmo a pobreza extrema pode comprometer um modo de vida correto. No pior dos casos, ela transforma a pessoa em ladrão – ou seja, quando ela fica tão pobre que só consegue sobreviver por meio do roubo.
E a riqueza? Ela pode tornar o homem ímpio quando este se considera importante e pensa que não precisa mais de Deus. Quando ele pensa que foi por conta própria que alcançou o sucesso. Quando não é grato a Deus por seus ganhos e não lhe dá a honra devida. Assim, para o autor bíblico, tanto a pobreza quanto a riqueza representam um perigo para uma vida piedosa. Por isso, ele pede: “Dá-me o pão que me for necessário”.
Autor
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Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.
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