Por que o mundo não encontra a paz e como, mesmo assim, é possível alcançar a paz interior.
Não há praticamente nenhuma plataforma de notícias que não mencione uma guerra em algum lugar do mundo. E, infelizmente, muitas guerras nem mesmo chamam a atenção da mídia, pois especialistas afirmam que existem dezenas de conflitos militares acontecendo em diferentes partes do mundo. Desde a Segunda Guerra Mundial, já ocorreram mais de 240 guerras. Isso causa grande sofrimento, mesmo para pessoas que não estiveram diretamente envolvidas no surgimento do conflito.
Além disso, esse não é o único problema. Há também as “guerras” particulares – disputas familiares, brigas entre vizinhos, conflitos no trabalho e, claro, a criminalidade generalizada. Centenas de milhares de casos de violência doméstica também ocorrem anualmente, alguns deles com desfecho fatal. Nem conseguimos mais contar os inúmeros casos de crimes nas ruas e roubos em residências…
A maioria das pessoas está convencida de que, no fundo, é boa. Mas se os outros, que também acreditam ser bons, não estão conscientemente mentindo, como pode haver tanto mal? A Bíblia, porém, explica que essa realidade não é uma coincidência. O primeiro casal humano já não quis que Deus lhes dissesse o que deveriam ou não fazer. Em vez disso, eles queriam decidir por si mesmos o que era bom e o que era mau. No entanto, após pouco tempo, fracassaram completamente. A mentira, a inveja e o egoísmo mostraram suas trágicas consequências, levando à destruição de relacionamentos e ao assassinato.
É evidente que o mal está presente em todas as pessoas e não desaparece simplesmente porque nos esforçamos. Isso já foi até comprovado cientificamente. Nos EUA, jovens estudantes participaram de um experimento em que deviam aplicar choques elétricos (hipotéticos) em outros que não tivessem estudado bem. Embora estes gritassem, a maioria estava disposta, após pouco tempo, a aplicar choques cada vez mais fortes.[1] Experimentos semelhantes, nos quais uma parte da turma era declarada guarda e a outra prisioneira, provaram como jovens normais estavam dispostos, em pouco tempo, a torturar seus colegas porque agora tinham o poder para isso.[2]
O desejo por paz e harmonia é grande, tanto entre políticos quanto entre cidadãos comuns. Contudo, na maioria das vezes, após pouco tempo no poder, os governantes passam a considerar seus próprios interesses mais importantes do que os da população. Quando lhes parece vantajoso, eles não hesitam em tomar decisões injustas. Alguns também apostam em cada vez mais armas para, de alguma forma, promover a paz. Por um tempo, isso parece até funcionar, até que todos os outros também se armam. No final, essa estratégia tem levado regularmente a ainda mais violência e guerras prolongadas ao longo da história.
Muitas pessoas participam de manifestações para promover a paz e a justiça. Quase sempre, porém, trata-se apenas de exigir que os outros mudem algo. Alguém é responsabilizado pela discórdia, mas nunca a própria pessoa. Publicamente, exige-se a paz, mas, na vida privada, vive-se em discórdia com as pessoas do próprio círculo íntimo. Isso não faz sentido. Algumas pessoas também esperam que tudo melhore por si só, que todos os outros de repente reajam de forma mais pacífica ou que as resoluções momentâneas de mudar tudo a partir de agora sejam bem-sucedidas. No entanto, todos esses esforços fracassam regularmente.
As tentativas humanas de estabelecer a paz rapidamente atingem seus limites. No entanto, a maioria das pessoas não quer admitir esse fracasso e recorrer à ajuda de Deus. Muitas são orgulhosas demais para isso. No máximo, querem que Deus ponha fim à disputa atual por meio de um milagre, para que possam continuar como antes. Mas Deus não aceita isso. Ele quer uma mudança fundamental de mentalidade, associada à transformação da própria personalidade.
Deus ofereceu paz e também criou as condições para isso. O mais importante é a paz com ele. Quem resolver isso tem paz interior e força para viver de forma mais pacífica. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1João 1.9). “Por meio do sangue do Filho na cruz, o Pai fez as pazes com todas as coisas” (Colossenses 1.20).

Os cristãos não devem apenas evitar brigas, mas também levar os demais a viverem em paz uns com os outros. “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5.9). Procurem viver em paz com todos e busquem a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12.14).
Jesus exige até mesmo que amemos nossos inimigos e oremos por aqueles que nos fazem mal: “Amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês” (Mateus 5.44). Nós mesmos somos incapazes de fazer isso, mas Jesus prometeu dar a força para essa paz sobrenatural àqueles que estão dispostos: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade” (Gálatas 5.22); “e a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus” (Filipenses 4.7).
Deus ofereceu paz e também criou as condições para isso.
Em um futuro próximo, Deus voltará à terra para estabelecer um reino de paz que durará incríveis mil anos. Então, as pessoas abandonarão as guerras e viverão em paz umas com as outras. “[O anjo] lançou-o [Satanás] no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos” (Apocalipse 20.3). “Estes transformarão as suas espadas em lâminas de arados e as suas lanças, em foices. Nação não levantará a espada contra nação, nem aprenderão mais a guerra” (Isaías 2.4).
Após o grande julgamento de todas as pessoas, Deus criará uma nova terra e um novo céu, onde não haverá mais doenças, sofrimento, morte ou guerras. “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima. E já não existirá mais morte, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Apocalipse 21.4).
Todos aqueles que fizeram as pazes com Deus durante a vida podem participar desse reino eterno de paz. Para isso, é necessário reconhecer a própria culpa perante Deus e pedir-lhe sinceramente perdão. Qualquer pessoa que não seja orgulhosa ou presunçosa pode fazer isso hoje e, dessa forma, tornar-se um filho de Deus. Com a força do Espírito Santo, é possível superar conflitos pessoais, perdoar e sentir a paz de Deus em seu coração.
Notas
- Kendra Cherry, “Understanding the Milgram Experiment in Psychology”, Verywell Mind, 25 set. 2025. Disponível em: https://www.verywellmind.com/the-milgram-obedience-experiment-2795243.
- Brian Duignan, “Stanford Prison Experiment”, Encyclopaeia Britannica, 23 jan. 2026. Disponível em. https://www.britannica.com/event/Stanford-Prison-Experiment.
Autor
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Michael Kotsch é professor de teologia histórica e teologia sistemática na Bibelschule Brake, na Alemanha. Entre 1986 e 1991, estudou teologia na Staatsunabhängige Theologische Hochschule Basel, na Suíça. Autor de mais de 30 livros, também organiza grupos turísticos para visitar locais da história bíblica, como Israel, Jordânia e Grécia.
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