Por Que Devemos Esperar!

Duas meninas em um pasto alpino (1860), por Carl Spitzweg

“Será que existe entre os ídolos dos gentios algum que faça chover? Ou podem os céus por si mesmos dar chuvas? Não és tu somente, ó Senhor, nosso Deus, o que fazes isto? Portanto, em ti esperamos, pois tu fazes todas estas coisas” (Jeremias 14.22).

Todos nós já ouvimos alguma versão da oração que diz: “Senhor, ajuda-me a ser paciente, mas, por favor, não demores muito”. Na minha vida, a lição sobre ser paciente tem sido provavelmente a mais difícil de aprender. Na verdade, devo confessar que não aprendi muito bem essa lição e tenho que reaprendê-la constantemente. Se eu tivesse que apontar o problema, teria que me referir às verdades destacadas no versículo acima.

Jeremias sabia muito bem o que era esperar. Durante seu ministério, teve de pregar a palavra de Deus a um povo que se opunha à verdade. Suas palavras muitas vezes pareciam ricochetear nos ouvidos de seus ouvintes. Além disso, ele teve que lidar com falsos profetas que diziam aos ouvintes ansiosos o que eles queriam ouvir: que os tempos difíceis estavam chegando ao fim; que os babilônios seriam derrotados; que Deus viria em socorro de Israel. Essas não eram as mensagens que Jeremias havia recebido para proclamar.

Como Jeremias tinha uma mensagem impopular para pregar, ele precisava ser um homem paciente para continuar, dia após dia, sendo um arauto dessa mensagem.

Como Jeremias tinha uma mensagem impopular para pregar, ele precisava ser um homem paciente para continuar, dia após dia, sendo um arauto dessa mensagem; este versículo vai direto ao cerne da questão sobre por que podemos esperar no Senhor, entregando-lhe nossa tendência de apressar as coisas ou de querer que as situações mudem da noite para o dia. O profeta faz duas perguntas sobre o modo como o mundo funciona. Na primeira, ele questiona sobre os ídolos das nações pagãs. Será que algum deles pode fazer chover? Ou seja, será que algum desses falsos deuses é poderoso o suficiente para influenciar o clima, especialmente nessa questão tão importante que é a chuva? A resposta óbvia é não!

A segunda pergunta é dirigida a Deus: a resposta para questões tão fundamentais – como o autor das chuvas – não seria que o Senhor é o responsável? O que isso significa? Significa que Deus está muito ativo em prover chuva para as plantas e para o homem. Ele é o Criador do mundo (e de seus padrões climáticos) e pode ser interpelado para agir sobre o que criou. Portanto (e esta é a lição principal), quando nos dirigimos a ele em oração e lhe pedimos algo, e temos que esperar por isso, devemos nos contentar em esperar, sabendo que fomos ouvidos. “Pois tu fazes todas estas coisas”, Senhor, não devemos estar constantemente incomodando-o, por assim dizer, com a nossa impaciência. Pelo contrário, nós (para não dizer “eu”) devemos nos contentar agora em esperar, e, nesse espírito, esperar é adoração!

Publicado originariamente em https://www.paulmhenebury.com.

Autor

  • Paul Martin Henebury (Ph.D., Tyndale Theological Seminary) nasceu em Manchester, na Inglaterra, mas vive nos Estados Unidos, onde serve como presidente do Telos Biblical Institute e pastor sênior da Agape Bible Church em Willits, Califórnia. Autor de dois livros, atuou por muitos anos como professor de teologia sistemática e apologética no Tyndale Theological Seminary e editor do Conservative Theological Journal. Casado com Gina, tem cinco filhos.

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