Um caso recente na liga americana de basquete feminino nos leva a refletir sobre a negação do mundo às verdades óbvias.
Não sou um grande fã de basquete. Admiro a habilidade impressionantes dos jogadores, mas nunca me senti atraído pelo esporte.
A polêmica
No entanto, acompanhei com interesse nas últimas semanas o debate na liga americana de basquete feminino profissional (WNBA). A razão está em torno de uma polêmica que teve início diante da declaração de uma atleta dos Indiana Fevers. A atleta em questão é Sophie Cunningham e a polêmica surgiu quando ela afirmou não acreditar que homens biológicos deveriam participar das competições na categoria feminina.
Sua declaração gerou muita discussão, inclusive por ser uma jogadora muito combativa. Infelizmente, sua posição foi acusada como transfóbica. Em uma outra entrevista, ela respondeu:
Recebi muitas críticas por supostamente odiar pessoas trans. E eu digo: “Eu nunca disse isso”. Acredito que estou aqui para espalhar amor. Mas também acredito que com esse amor vem a verdade, a honestidade. Eu disse o que disse, acho que é senso comum, sempre acreditarei nisso, é muito importante proteger as crianças, e isso inclui as meninas.[1]
O que poderia ter terminado com apenas mais uma confrontação com respeito à atual polêmica foi potencializada nas semanas seguintes. O problema é que os estatutos da WNBA afirmam que apenas mulheres podem jogar, mas em nenhum lugar explica o que significa ser mulher. Essa brecha pode potencialmente ser explorada por jogadoras que nasceram como homens, mas hoje se identificam como mulheres. Inclusive, em uma ação que tem sido entendida como política, vários jogadores aposentados da NBA (liga masculina) declararam que, após estudar os critérios ou falta deles, pretendem jogar na liga feminina.
A comissão organizadora tem se reunido para discutir o tema, mas até agora tem se recusado a esclarecer o critério de entrada. Em uma declaração chocante, um dos membros da comissão afirmou: “Eu não sou bióloga para definir o que é uma mulher. Se alguém aqui sabe definir o que é uma mulher, que se levante e fale!”.
A indefinição
Tal indefinição é o que tem chamado a minha atenção. Como é possível que a comissão diretiva de uma liga feminina de esportes não consiga ter a coerência de definir o que é uma mulher?
Esse é um triste retrato de nossos tempos. É óbvio que, além das lutas ideológicas, há muita preocupação com a perda de contratos e apoio de fãs progressistas que pressionam para que mulheres trans sejam incluídas na liga.

O dilema não é técnico. Qualquer estudioso do corpo humano sabe que a constituição masculina, mesmo com o uso de hormônios femininos, é mais forte, mais rápida e mais capaz no âmbito esportivo. Na verdade, basta observar os recordes esportivos em qualquer categoria. Apenas como um exemplo, na prova de salto em altura, o recorde feminino mundial é de Yaroslava Mahuchikh com a marca de 2,10 metros. Isso é impressionante. Esta jovem atleta saltaria por cima da maioria das portas de nossas casas. Contudo, na mesma prova masculina, o recorde pertence a Javier Sotomayor com a marca de 2,45 metros!
O desvio da verdade
O apóstolo Paulo já havia nos avisado e apontado para esse desvio da verdade: “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador, que é bendito para sempre” (Romanos 1.25).
O ser humano resiste à verdade e prefere a injustiça, contanto que esta lhe interesse. Assim, por exemplo, movimentos pró-aborto decretam que um feto não é um ser humano.[2]
Seguido nesta direção, a sociedade tem afirmado que a verdade é relativa, um construto social. Outros afirmam que a verdade não existe, ou que a única verdade absoluta é aquela que encontramos em nós mesmos. Tudo isso são tentativas de negar a verdade e de substituí-la pela mentira.
Conclusão
Quando falamos de pessoas sem um compromisso com Deus, isso é natural e nem deveria nos surpreender. No entanto, quando percebemos a mesma tendência em nós mesmos, então temos muita razão para temer. Diante de um mundo que promove e mesmo defende a mentira, importa que abandonemos a mentira e falemos a verdade (Efésios 4.25), inclusive a nós mesmos.
Oro para que você, meu amigo leitor, e eu estejamos abertos a sermos confrontados por aquele que é a verdade: Jesus Cristo (João 14.6).
Notas
- Andrés Fernández Ré, “Quem é Sophie Cunningham, jogadora de basquete que protagoniza debate sobre atletas trans nos EUA”, O Globo, 6 ago. 2026. Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/gente/noticia/2026/08/06/quem-e-sophie-cunningham-jogadora-de-basquete-que-protagoniza-debate-sobre-atletas-trans-nos-eua.ghtml.
- Recentemente, o estado americano de Massachussets aprovou uma lei que autoriza o aborto de bebês em qualquer período até o nascimento. Em outras palavras, um bebê pode ser morto no ventre da mãe até minutos antes de um nascimento normal.
Autor
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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 27º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.
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